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Catar dá detalhes sobre acordo e diz que trégua em Gaza começa no domingo

Premiê do país árabe, um dos negociadores do cessar-fogo, afirma que Israel e Hamas trabalham para lapidar últimos pontos ainda nesta quarta-feira, 15

Por Redação Atualizado em 15 jan 2025, 16h50 - Publicado em 15 jan 2025, 16h09

Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, o primeiro-ministro do Catar, confirmou nesta quarta-feira, 15, que Israel e Hamas haviam chegado a um acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza, após meses de impasses nas negociações e de conflito violento no enclave palestino. O político, que também atua como ministro das Relações Exteriores, disse que ambos os lados ainda estão trabalhando para lapidar alguns dos detalhes finais do pacto, mas que o processo seria finalizado ainda nesta noite.

Em entrevista coletiva em Doha, a capital catari, onde ocorreram as tratativas finais, Al Thani também deu uma data para o início da implementação da trégua, que terá três fases: o próximo domingo, 19 de janeiro. Segundo ele, o acordo vai permitir a libertação de reféns israelenses e prisioneiros palestinos e um retorno à “calma sustentável”.

Implementação em fases

O primeiro-ministro do Catar acrescentou que a primeira fase do acordo durará 42 dias e incluirá o encerramento das hostilidades entre ambos os lados e a retirada das forças israelenses para o leste de Gaza, longe de áreas povoadas. Os militares de Tel Aviv se posicionarão, então, ao longo da fronteira do enclave.

Como parte da etapa inicial, o Hamas libertará 33 prisioneiros israelenses, incluindo mulheres civis, bem como crianças, idosos, civis feridos ou doentes. Em troca, Israel vai soltar vários prisioneiros palestinos detidos no país, disse ele.

Essa fase incluirá ainda o retorno de palestinos para suas casas e facilitará o acesso de feridos e doentes a hospitais, para receber tratamento. Mais de 90% da população de Gaza, que antes da guerra era de 2,3 milhões de pessoas, foi deslocada internamente durante o conflito.

Além disso, está previsto um aumento do fluxo de ajuda humanitária, combustível e equipamentos de defesa civil para todas as partes da Faixa de Gaza, bem como a reabilitação de hospitais, centros de saúde e padarias, grande parte dos quais foi destruída ou debilitada devido a ataques aéreos.

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Al Thani afirmou que os detalhes das fases dois e três do acordo serão finalizados durante a implementação da fase um. Ele enfatizou a “necessidade de ambos os lados se comprometerem com a implementação de todos os três estágios” para “evitar derramamento de sangue civil”. O xeque completou que o Catar continuará seus esforços junto com o Egito e os Estados Unidos, principais mediadores do conflito, para garantir que todos os lados estejam cumprindo o pacto.

Ao ser perguntado se a pressão do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, fez o acordo de cessar-fogo sair do papel, Al Thani reconheceu que um “impulso” começou a crescer no último mês e que ele viu uma “clara demonstração” do comprometimento de Washington em finalizar o pacto nos últimos dias. O republicano vinculou o avanço à sua vitória eleitoral, em uma espécie de disputa com o atual chefe da Casa Branca, Joe Biden, pelo crédito.

Informações preliminares

Anteriormente, informações vazadas pela mídia israelense indicaram que as três etapas do cessar-fogo durarão seis semanas.

Na primeira, 33 prisioneiros israelenses em posse do Hamas seriam libertados. Em troca de cada mulher das Forças Armadas, Israel soltaria 50 prisioneiros palestinos, e mais 30 sairão da prisão em troca de civis em cativeiro.

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Ao mesmo tempo, segundo reportagens na mídia israelense, os militares de Tel Aviv deixariam o Corredor Filadélfia — território entre as fronteiras de Gaza e Egito —, um dos principais pontos que travavam as negociações.

A segunda fase começaria 16 dias depois, com foco nas negociações para libertar os prisioneiros restantes, e a etapa final abordaria acordos de longo prazo, incluindo um governo alternativo em Gaza e esforços de reconstrução do enclave devastado.

Plano pós-guerra

Na terça-feira, 14, o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, expôs o plano de Washington para o pós-guerra. O chefe da diplomacia americana, que será substituído pelo senador Marco Rubio no governo Trump, disse que o governo interino ficará nas mãos da Autoridade Palestina, mas que haveria uma parceria com as Nações Unidas e uma força de segurança com soldados de “nações parceiras”, para supervisionar os assuntos civis no enclave.

Depois, o governo interino entregaria o poder a uma Autoridade Palestina “reformada”. No entanto, Israel rejeitou repetidamente permitir que a organização, que administra áreas da Cisjordânia ocupada, assuma o governo de Gaza.

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“Por muitos meses, temos trabalhado intensamente com nossos parceiros para desenvolver um plano pós-conflito detalhado que permitiria a Israel que se retirasse totalmente de Gaza, impedisse o Hamas de se reerguer e fornecesse governança para a reconstrução de Gaza”, disse Blinken.

Os Estados Unidos alertaram Israel de que o Hamas não poderia ser derrotado apenas com uma campanha militar, ele afirmou.

“Avaliamos que o Hamas recrutou quase tantos (combatentes) novos quanto perdeu. Essa é uma receita para uma insurgência duradoura e uma guerra perpétua”, disse ele.

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