Caixas-pretas de avião da Embraer que caiu no Cazaquistão chegam ao Brasil
Acidente provocou a morte de 38 dos 67 passageiros a bordo de aeronave; Azerbaijão acusa Rússia de estar por trás da tragédia

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Força Aérea Brasileira (FAB), recebeu e iniciou a análise nesta quinta-feira, 2, das caixas-pretas do avião da Embraer que caiu no Cazaquistão, em 25 de dezembro. O presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, acusa a Rússia de ter disparado contra a aeronave. O acidente provocou a morte de 38 das 67 pessoas a bordo.
O Cenipa é o órgão brasileiro responsável pela investigação de acidentes aeronáuticos e representante acreditado das aeronaves produzidas pela Embraer. Além dos técnicos brasileiros envolvidos na degravação dos dados, o centro da Aeronáutica receberá investigadores do Cazaquistão, do Azerbaijão e da Rússia (três de cada país).
Parte do Cenipa, o Laboratório de Leitura e Análise de Dados (Labdata) está sob posse dos gravadores de voz e de dados do voo – o Cockpit Voice Recorder e o Flight Data Recorder, respectivamente. Com isso, será possível analisar as conversas na cabine de comando. Os resultados da investigação serão compartilhados com a Autoridade de Investigação de Acidentes Aeronáuticos do Cazaquistão.
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O material foi recebido por autoridades brasileiras em concordância com o Anexo 13 da Convenção sobre Aviação Civil Internacional, que possibilita a participação de um país estrangeiro na investigação de um acidente aéreo à convite. O poderio tecnológico do Cenipa, bem como o fato de que o avião envolvido no episódio era de fabricação da Embraer, impulsionaram o pedido do Cazaquistão.
O jato voava de Baku, no Arzeibaijão, para Grozny, capital da região da Chechênia, no sul da Rússia. A aeronave acabou desviando da rota original até cair do lado oposto do Mar Cáspio. Após as acusações do Azerbaijão, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, pediu desculpas pelo “trágico incidente”, que ocorreu quando os sistemas de defesa aérea russos combatiam drones ucranianos, segundo nota do Kremlin.
“O (presidente) Vladimir Putin pediu desculpas pelo trágico incidente ocorrido no espaço aéreo russo e mais uma vez expressou suas profundas e sinceras condolências às famílias das vítimas e desejou uma rápida recuperação aos feridos”, afirmou o comunicado.