A Europa sob um alerta vermelho
Os países europeus começaram a semana sob os efeitos de uma onda de calor implacável
O verão no Hemisfério Norte mal começou e já dá mostras de poder vir a ser o pior da história. Os países europeus começaram a semana sob os efeitos de uma onda de calor implacável, associada a sistemas de alta pressão que empurram um ar quente para baixo. Na terça-feira 1º, a França inteira fervia sob temperaturas por volta de 40 graus. “Não há precedentes”, disse Agnès Pannier-Runacher, ministra de Transição Ecológica. Aulas foram suspensas nas escolas e, sob o céu vermelho do entardecer, a Torre Eiffel, escaldante estrutura de ferro forjado, fechou mais cedo o nível superior e recomendou aos turistas que só voltassem dois dias depois. A Grécia teve de impedir o acesso a atrações turísticas ao ar livre para incentivar os visitantes a fugir da exposição ao sol, enquanto no Reino Unido os maiores tenistas da atualidade padeciam para competir no tradicional torneio de Wimbledon. Um estudo publicado pela renomada Nature em janeiro alertou que, até o fim do século, 2,3 milhões de pessoas podem morrer em decorrência do calor na Europa, o continente onde o aquecimento global é mais acelerado. Na Espanha (50 graus) para uma conferência, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que constantemente alerta para os perigos das mudanças climáticas, postou no X estar sentindo os efeitos dos termômetros inclementes na pele. “O calor extremo não é mais um acontecimento raro. Tornou-se o novo normal”, escreveu ele, no alvorecer de um verão abrasador como nunca se viu.
Publicado em VEJA de 4 de julho de 2025, edição nº 2951







