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Hipólita Jacinta, a rebelde reconhecida por Lula como heroína da pátria

A articuladora da Inconfidência Mineira é a décima quarta mulher a ser incluída no panteão de heróis do país

Por Marília Monitchele Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 13 jan 2025, 15h09 - Publicado em 7 jan 2025, 18h00

O presidente Lula sancionou nesta segunda-feira (6) a lei que inscreve o nome de Hipólita Jacinta Teixeira de Melo no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. Criado em 1992, o memorial homenageia brasileiros e brasileiras que dedicaram suas vidas à pátria, contribuindo de forma significativa para a liberdade e a democracia no país.

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A distinção é concedida exclusivamente a pessoas falecidas ou presumidamente mortas há pelo menos dez anos. Os primeiros a receberem o título foram Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, e Deodoro da Fonseca, primeiro presidente do Brasil. Atualmente, o livro conta com 66 nomes inscritos: 52 homens e 14 mulheres, incluindo Hipólita.

A rebelde mineira

Reconhecida como uma das lideranças da Inconfidência Mineira, ocorrida no final do século XVIII, Hipólita é natural de Prados, a 185 km de Belo Horizonte. “Durante muitos anos, quando se comentava sobre o movimento revolucionário, predominavam referências aos participantes homens. A primeira mulher a ter seu nome inscrito entre os protagonistas foi Hipólita Jacinta”, diz André Figueiredo Rodrigues, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp). 

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Destemida, ela desempenhava um papel crucial como elo de comunicação entre os inconfidentes. Sua casa, a Fazenda Ponta do Morro, era o ponto de encontro para as reuniões dos rebeldes. Em maio de 1789, ela soube que o movimento havia sido descoberto pela Coroa e que Tiradentes fora preso no Rio de Janeiro. “Ela alertou os inconfidentes sobre a prisão de Tiradentes e articulou o início da revolta, convocando os militares para começarem o levante”, acrescenta Rodrigues.

Livro heróis
Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria — (Agência Senado/ Moisés Nazário/Reprodução)

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Diante da iminência da derrota, Hipólita ordenou um levante militar como última alternativa. Ela enviou dois bilhetes: um para seu marido, o ex-coronel Francisco Antônio de Oliveira Lopes, que estava em Vila Rica (atual Ouro Preto), e outro para padre Toledo, vigário da Vila de São José (hoje Tiradentes). A mensagem curta deixava um recado incisivo: “quem não é capaz para as coisas não se meta nelas; e mais vale morrer com honra que viver com desonra.”

Fora dos padrões

Nascida em 1748, quando a prosperidade do ouro ainda predominava em Minas Gerais, Hipólita foi criada no seio da elite local. Diferente da maioria das mulheres da época, não se casou jovem; o matrimônio com Francisco Antônio ocorreu apenas aos 33 anos. 

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Embora as “más línguas” da época classificassem Francisco como tolo, acredita-se que essa reputação lhe foi imposta devido à influência de Hipólita, uma mulher que ousou romper com a esfera doméstica e ocupar um lugar de destaque no meio político.

O casal não teve filhos biológicos, mas adotou duas crianças. Entre elas estava Antônio Francisco, sobrinho de Alvarenga Peixoto e Bárbara Heliodora, também inconfidentes. Antônio era filho de Maria Inácia, irmã de Bárbara, que teve a criança fora do casamento e, para evitar escândalos, não foi reconhecida pela família.

Depois da Inconfidência

Com o fracasso do movimento, Hipólita perdeu todos os seus bens, incluindo metade das propriedades de seu marido, que foi exilado em Moçambique. Nos anos seguintes, ela conseguiu recuperar parte de seu patrimônio, aproveitando-se com esperteza da má gestão da Coroa Portuguesa.

Apesar de sua relevância histórica, não há registros de sua fisionomia. Em 1999, Hipólita recebeu a Medalha da Inconfidência, a maior honraria do Estado de Minas Gerais. Em 2023, tornou-se a primeira mulher a ter uma lápide no Panteão dos Inconfidentes, em Ouro Preto. Agora, é a décima quarta mulher brasileira reconhecida como heroína da pátria, ao lado de nomes como Maria Felipa de Oliveira e Dandara dos Palmares.

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