Jean Wyllys: ‘muita preguiça de literatura panfleto’
Ex-deputado federal questionou o uso da ficção por escritores
O ex-deputado federal Jean Wyllys, 51 anos, causou polêmica ao criticar o uso da ficção para levantar debates da vida real. Em entrevista a um podcast, ele afirmou que se incomoda com a chamada literatura “panfletária”. “Tive essa preocupação nos contos de usar diferentes estruturas narrativas para mostrar ao leitor que o que ele está lendo é uma representação do mundo e não o mundo. É dar vida e profundidade a personagens que não têm na cobertura jornalística. Ficção, para mim, é isso”, explicou.
O escritor acrescentou que sente “muita preguiça de literatura panfleto”. “A literatura é imaginação criativa, principalmente dentro da tradição do romance moderno. Não podemos cair no esquematismo de representar personagens negras apenas como vencedoras, milionárias ou bonitas, como Beyoncé. Também é possível retratar mulheres negras, evangélicas, pobres, cheias de preconceitos, praticando racismo religioso. Isso faz parte da liberdade do escritor. A exigência de que a ficção cumpra uma função de propaganda me incomoda e não me interessa”, completou.
As declarações provocaram reação imediata nas redes sociais. Alguns seguidores, como a autora do remake de Vale Tudo, Manuela Dias, elogiaram a opinião. “Perfeito demais”, escreveu ela. Já outros questionaram a abordagem de Wyllys, argumentando que a liberdade criativa historicamente favoreceu apenas determinados grupos: “Por anos, novelas da Globo só colocavam negros como empregados ou bandidos. Será que é só isso que é liberdade criativa?”, criticou um internauta.







