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Thomas Traumann

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Thomas Traumann é jornalista e consultor de risco político. Foi ministro de Comunicação Social e autor dos livros 'O Pior Emprego do Mundo' (sobre ministros da Fazenda) e 'Biografia do Abismo' (sobre polarização política, em parceria com Felipe Nunes)

O grande vizinho do Norte

Livro mostra as difíceis relações dos EUA com o resto do continente e lembra que ação de Trump na Venezuela é regra, não exceção

Por Thomas Traumann Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 21 jan 2026, 09h05

No final do século 18, nos primeiros anos dos Estados Unidos independente, na derrocada da Revolução Francesa e o surgimento de Napoleão Bonaparte, o advogado e banqueiro Alexander Hamilton e o militar espanhol-venezuelano Francisco de Miranda trocaram cartas sobre o futuro do continente. Ex-oficial do Exército espanhol e convertido à insurgência, Miranda defendia que os Estados Unidos (e com o primeiro presidente americano George Washington à frente) liderassem um movimento de independência sobre as colônias do continente. Com a oposição do então presidente dos EUA, John Adams, e a morte de Hamilton em um duelo, Miranda terminou encontrando seu libertador no venezuelano Simón Bolívar, mas o episódio contado pelo historiador e professor de Yale Greg Grandin no seu novo livro America, America é revelador de como os EUA foram um modelo paras futuras novas repúblicas ao Sul do rio Grande.

Esta simpatia, conta Grandin, fez com que mesmo a infame Doutrina Monroe de 1823 fosse inicialmente saudada como positiva, por ser um muro contra as pressões europeias. Demorou algum tempo para os demais países entenderem que o lema “América para os americanos” se referia aos Estados Unidos e não aos habitantes de todo o continente. O México sentiu primeiro. A realidade só se fez sentir com a colonização, insurgência, independência e anexação do Texas como prova do destino manifesto expansionista dos EUA. As dezenas de intervenções diretas e indiretas dos EUA no continente mostram que a ação militar de Donald trump na Venezuela é a regra, não a exceção.

O livro é ambicioso. Em 758 páginas, cobre 500 anos de história do continente, do frade Bartolomé de Las Casas no século XVI à Guerra Fria de Richard Nixon. Original, Grandin tenta explicar os EUA não pela via tradicional, como uma república formada em oposição à Europa, mas na sua relação de imposição pela força, racismo e exploração de recursos naturais do resto do continente.

Grandin acerta ao mostrar como parte da identidade da América Latina foi moldada pelo conflito de aceitação e rejeição dos EUA. O antiamericanismo e pró-americanismo, diz Grandin, são faces de países que tentam ser aceitos pelos Estados Unidos como iguais e nunca conseguem.

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America, América: A New History of the New World, de Greg Grandin – editora Penguin Press – 758 páginas – R$ 152,27

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