A boa notícia que 2025 trará ao streaming – e é péssima para a TV aberta
Pesquisa de uma consultoria americana divulgada nesta terça-feira, 4, traz uma previsão eloquente (e histórica) sobre disputa global pelos espectadores

Basta passar os olhos na tela, conferir as indicações a prêmios como Emmy, Oscar e outras honrarias, ou verificar os números de audiência a cada novo boletim sazonal para constatar: não é de agora que a televisão vive um processo notável de transferência de poder e popularidade rumo a uma direção bem óbvia. Enquanto os canais de TV aberta perdem força em todo o mundo, as plataformas de streaming vão se tornando o centro gravitacional da cultura pop e da preferência habitual dos espectadores. De tempos em tempos, essa sensação é corroborada por novos marcos atingidos pelo crescimento de um, ou a revelação de mais um dado que confirme o declínio do outro lado. Uma nova pesquisa da consultoria especializada americana Ampere Analysis divulgada pela influente Variety na manhã desta terça-feira, 4, traz previsões acachapantes nos dois sentidos para 2025. Ao que seus números indicam, neste ano a TV aberta deverá descer mais um eloquente degrau em nível global — e os grandes beneficiados, claro, serão a Netflix e companhia.
Como anda a disputa streaming x TV aberta?
O levantamento da Ampere Analysis é voltado à mensuração de um dado que interessa concretamente às partes envolvidas: os movimentos da verba de investimento em conteúdo na televisão no mundo como um todo. O total previsto é de 248 bilhões de dólares em 2025, montante quase do tamanho do PIB de um país como Portugal. Essa montanha de verba para investimento em novos programas e transmissões aponta para um crescimento de 0,4% no ano — menor que o desempenho de 2024, na casa dos 2%, puxado por eventos que despertam atenção global, como as Olimpíadas ou as eleições americanas.
Mas o detalhe que mostra como o ano de 2025 será histórico no setor diz respeito à divisão dessas verbas: pela primeira vez, o streaming investirá mais que a TV aberta em novos conteúdos. As plataformas preveem injetar 95 bilhões de dólares em novas produções, ou 39% do total global — contra 37% a serem gastos pelos canais de TV aberta mundialmente, num arco que vai de grandes redes americanas como a ABC e a NBC até a brasileira Globo (os 24% restantes nesse bolo bilionário são de investimentos de canais públicos e por assinatura, entre outros).
Por que a TV aberta perde força?
A contenção da TV aberta frente ao streaming não é surpresa: decorre da perda do poder de fogo das grandes redes de televisão nos últimos anos, devido à inexorável fuga de espectadores para o streaming e para a internet, num processo que provoca também erosão de seu faturamento com publicidade. Ainda assim, ressalva a Ampere, a TV aberta vem mostrando uma capacidade de resiliência significativa, graças a seu poder nas grandes transmissões esportivas e de eventos ao vivo, o que evita que a queda seja ainda mais radical. “O crescimento contínuo dos gastos com vídeo sob demanda, combinado com a perspectiva mais cautelosa das emissoras abertas, destaca a mudança do papel da televisão tradicional à medida que a demanda dos telespectadores se volta para plataformas digitais e streaming”, conclui o relatório.
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