O segredo de Bad Bunny no topo das paradas ao defender imigrantes latinos
Cantor porto-riquenho totaliza 113 músicas na Billboard e se une a um grupo seleto de artistas como Elvis Presley, Taylor Swift e Beyoncé

Aos 30 anos, o porto-riquenho Benito Antonio Martinez Ocasio, o Bad Bunny, é hoje um dos artistas mais tocado do mundo ao se tornar o 1º artista latino a ter 100 hits na Billboard Hot 100. Mas, qual é o segredo do sucesso do cantor? De empacotador de compras em um supermercado da cidadezinha de Vega Baja, em Porto Rico, e filho de um caminhoneiro e de uma professora de inglês, Benito cresceu mergulhado na música latina, e costumava acompanhar a mãe pela casa balbuciando sucessos da salsa, merengue e baladas locais. Foi o trap, no entanto, um subgênero do rap, que abriu as portas para o sucesso quando, como muitos de sua geração, ele despontou na Internet.
Com seu mais recente álbum, Débi Tirar Más Fotos, o oitavo de sua carreira, que chegou às plataformas de streaming em 5 de janeiro, ele bateu uma marca dificílima de atingir. Todas as 17 faixas que compõem o projeto estrearam no ranking da Billboard e, com isso, o cantor totaliza 113 entradas na parada musical. Com a conquista, Bad Bunny se une a um grupo seleto de artistas que também alcançaram o feito: são apenas 20, e dentre eles, há figurões como Elvis Presley, Taylor Swift, Drake, Eminem, Beyoncé e Justin Bieber. Além de ser o único representante da América Latina na lista, o cantor também se destaca por ser o único cujas músicas são todas interpretadas em espanhol. O álbum também recebeu 11,5 milhões de reproduções em um período de 24 horas no Spotify.
Para além de cantar todas as músicas em espanhol, Bunny também se tornou um crítico ferrenho de Donald Trump e uma das vozes mais ruidosas em defesa de Porto Rico. Em outubro do ano passado, após um humorista ofender os portoriquenhos durante um comício de Donald Trump, Bunny declarou apoio à Kamala Harris. O novo disco, portanto, foi também uma “carta de amor” a Porto Rico, fazendo do trabalho algo, claro, também um manifesto político. Nas letras, o cantor fala sobre detalhes de sua terra, como lembranças da infância, gírias e locais onde ele viveu. O título é uma referência à memória: “deveria ter tirado mais fotos”.
Com um visual arrojado que mistura influências de skate à cultura tropical, o cantor quebra o estereótipo de masculinidade que costuma cercar artistas latinos, e chegou a ser descrito como “um ícone da comunidade queer” por Ricky Martin. Não raro, aparece de unhas pintadas ou usando saias, e é um defensor ativo dos direitos LGBTQIA+. Embora se defina como hétero, tem uma visão fluida da sexualidade. “Não sei se em 20 anos vou gostar de um homem. Ninguém nunca sabe. No momento sou heterossexual, gosto de mulheres”, declarou ao LA Times.
Os porto-riquenhos são por lei cidadãos naturais dos Estados Unidos e podem circular livremente entre a ilha do Mar do Caribe e o continente. Como não é um estado, a região não tem voto no Congresso dos Estados Unidos, que rege o território com jurisdição total por meio da Lei de Relações Federais de Porto Rico, de 1950, nem ao nível nacional. Ou seja, seus habitantes não votam para presidente e vice-presidente. Lá existe uma constituição local, que permite que os cidadãos do território elejam um governador.
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