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PSD-PSDB: Uma nova peça no xadrez político

A incorporação do PSDB pelo PSD abriria espaço para dois potenciais pré-candidatos à Presidência

Por Murillo Aragão 20 jan 2025, 10h07

O PSDB, criado a partir de uma visão reformista moderna, com propostas de estabilização econômica, reformas estruturais e desenvolvimento social alinhado ao equilíbrio fiscal, naufragou ao longo dos últimos anos em uma política medíocre, centrada em interesses de grupos regionais e pessoais, deixando de lado projetos nacionais de longo prazo. A crise identitária do partido culminou no abandono do legado de Fernando Henrique Cardoso (FHC), figura que consolidou o PSDB como pilar do centro político durante seus dois mandatos presidenciais. Jose Serra, Aécio Neves e João Dória não conseguiram manter o excepcional trabalho político feito por Franco Montoro, Mario Covas, Tasso Jereissati e Fernando Henrique Cardoso, entre outros.

Um dos episódios que aprofundaram a desarticulação do partido foi a fracassada candidatura de João Doria à Presidência da República em 2022. Lançada como tentativa de reafirmar a relevância nacional da sigla, a candidatura de Doria não apenas fracassou, como também intensificou as divisões internas do PSDB. O processo de imposição de seu nome, amplamente contestado, enfraqueceu o partido em São Paulo, seu principal reduto político, e agravou o declínio de sua influência no plano nacional. Em paralelo, o PSDB perdeu em 2022 o governo do estado de São Paulo, sua maior vitrine política, administrado pelos tucanos desde 1995.

A tentativa de contornar o declínio por meio da federação com o Cidadania, firmada em 2022, foi amplamente criticada. Cristovam Buarque, presidente do diretório brasiliense do Cidadania, classificou a aliança como um “desastre completo”. Desde o início, Cristovam alertava que a federação comprometeria a identidade de ambos os partidos, previsão que se confirmou diante dos resultados eleitorais modestos. A federação elegeu apenas sete deputados federais, número que foi reduzido para cinco, evidenciando a incapacidade de reverter a trajetória de declínio de ambas as siglas. O PSDB, que nasceu como um projeto político reformista e moderno, foi desarticulado por disputas internas, decisões estratégicas equivocadas e a perda de conexão com o eleitorado. Nesse cenário, o vazio deixado pelo PSDB no centro político abriu espaço para o crescimento do PSD, que busca consolidar-se como a principal força centrista.

Enquanto o PSDB recua, o PSD, liderado por Gilberto Kassab, se consolida como força emergente e potencialmente hegemônica no centro político. O partido elegeu o maior número de prefeitos nas eleições municipais de 2024, quebrando uma hegemonia do MDB que prevalecia desde 1992. A eventual incorporação PSDB ao PSD poderia resultar em um partido com maior capilaridade política, capaz de influenciar as principais decisões no plano nacional.

A incorporação do PSDB pelo PSD abriria espaço para dois potenciais pré-candidatos à Presidência: Ratinho Júnior, governador do Paraná, e Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul. Ambos nomes com qualidades para a disputa presidencial. Juntas, as siglas formariam a maior bancada no Senado, com 16 parlamentares, e a quarta maior bancada da Câmara, com 60 deputados. No plano municipal, o partido resultante lideraria o G-103, grupo que reúne as cidades com mais de 200 mil eleitores, e teria o maior número de prefeitos, consolidando uma base sólida tanto no interior quanto nas capitais.

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As articulações envolvendo PSD e PSDB indicam uma tentativa de reconfiguração do centro político como alternativa à polarização entre lulismo e bolsonarismo. Contudo, a fragmentação interna e as disputas regionais continuam sendo grandes obstáculos à consolidação de um projeto político robusto, capaz de influenciar as eleições presidenciais de 2026. Caso a incorporação do PSDB ap PSD funcione, nascerá um partido de centro com enorme musculatura política e imenso potencial para ser ainda maior na política nacional.

De certo, a incorporação do PSDB pelo PSD mudaria significativamente o cenário partidário brasileiro, fortalecendo o PSD como uma força de centro e reconfigurando o espaço da oposição ao governo. No entanto, o sucesso dessa estratégia dependeria de como o PSD administraria a absorção dos quadros tucanos, como se posicionaria nas eleições de 2026 e se conseguiria oferecer uma alternativa viável à polarização atual. Se bem conduzida, a fusão pode transformar o PSD no principal articulador do centro democrático do país.

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