A ligação entre ‘Ainda Estou Aqui’ e os atos do 8 de Janeiro
Se na ditadura “a sociedade foi Rubens Paiva”, em 2025, os defensores da democracia encontram inspiração na sua esposa, a advogada Eunice Paiva

Os atos dos dois anos dos atentados do 8 de Janeiro, previstos para esta quarta-feira, 8, atualizam uma célebre frase dita por Ulysses Guimarães em seu discurso na promulgação da Constituição de 1988: “A sociedade foi Rubens Paiva, não os facínoras que o mataram”.
Com o sucesso do filme Ainda estou aqui — que acaba de render o Globo de Ouro à atriz Fernanda Torres —, o povo brasileiro passa a se reconhecer, agora, em outra personagem, igualmente importante: Eunice Paiva, cujo histórico de resistência inspira a todos que se engajam na atual batalha em defesa da democracia.
O paralelo é inevitável: enquanto, em 1971, Eunice confrontava o regime autoritário na busca pela verdade e pela memória de seu marido, em 2023, o país enfrentava um novo ataque ao Estado de Direito.
Se Rubens Paiva simbolizava homens e mulheres que foram feridos, silenciados e mortos nos anos de chumbo, Eunice Paiva, sua esposa, representa a resiliência dessas mesmas pessoas — e, sobretudo, de seus parentes e amigos — ao longo das décadas.
O Brasil viveu anos sombrios na ditadura militar — e passou por outro momento crítico no 8 de Janeiro. Em ambas as situações, a sociedade se viu espelhada na conduta daqueles que não se acovardaram.
Eunice não apenas sobreviveu ao horror, mas também lutou incansavelmente para preservar a memória, exigir justiça e buscar a verdade sobre o destino de seu marido.
A sua luta é um lembrete permanente de que os brasileiros, na figura de mulheres como ela, nunca desistem da democracia, mesmo quando tudo parece perdido.