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A política e seus bastidores. Com Laísa Dall'Agnol, Bruno Caniato, Isabella Alonso Panho, Heitor Mazzoco, Pedro Jordão e Anna Satie. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Mais uma vez, a Rede ‘murcha’ no Congresso

Eleitos senadores pelo partido, Alessandro Vieira e Capitão Styvenson saem rumo a PPS e Podemos, respectivamente; legenda não superou cláusula de barreira

Por Guilherme Venaglia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 5 fev 2019, 20h35
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Repetindo o ocorrido entre a sua fundação em 2015 e o último ano, a Rede Sustentabilidade, partido da ex-ministra Marina Silva, mais uma vez se vê encolher no Legislativo. A legenda, que elegeu apenas uma deputada federal, a líder indígena Joênia Wapichana (RR), comemorou um resultado impressionante no Senado, com a conquista de cinco cadeiras (partido do presidente da Casa, Davi Alcolumbre, o DEM possui apenas um senador a mais).

No entanto, passados apenas quatro meses do pleito, o partido já perdeu dois desses parlamentares, o último nesta semana: Styvenson Valentim, senador eleito no Rio Grande do Norte e conhecido como Capitão Styvenson, trocou a Rede pelo Podemos, atendendo a um convite de um adversário de Marina na disputa presidencial, o também senador Alvaro Dias (PR).

Em carta, Styvenson disse que concorreu pela Rede porque a legislação brasileira exige a filiação a um partido e que aceitou a proposta para se filiar ao Podemos por ser “um partido jovem” e que “se alinha com o atual cenário da democracia representativa”.

O potiguar seguiu o caminho de outro senador que deixou a Rede, Alessandro Vieira (SE), filiado ao PPS desde novembro. Vieira, ligado ao movimento de renovação Acredito, justificou sua decisão com o fato de o partido de Marina não ter batido a chamada “cláusula de barreira”, que o deixa com atuação limitada dentro do Congresso Nacional e sem direito nem às verbas dos fundos eleitoral e partidário, nem ao horário eleitoral no rádio e na televisão.

A cláusula é a justificativa apresentada por outros senadores que também já mudaram de partido, casos de Jorge Kajuru (GO), eleito pelo PRP e agora filiado ao PSB, e Carlos Viana (MG), que venceu pelo PHS e agora está no PSD.

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Existe a expectativa de que a Rede e o PPS se fundam em um novo partido. As direções das legendas já sinalizaram essa intenção, que hoje tem como barreira uma regra da lei eleitoral que decide que partidos só possam se fundir a outros a partir de cinco anos da sua criação. Como a Rede surgiu em 2015, esse prazo só estaria cumprido no próximo ano.

Em nota divulgada quando anunciou a mudança de legenda, Alessandro Vieira disse que estava apenas “se antecipando” ao mudar de partido. “Por esta razão, o Elo Nacional [órgão de deliberação máxima da Rede] passou a debater alternativas para o futuro, resumidas à perspectiva de fusão com o PPS, partido disposto a ser totalmente reformulado para abrigar o desejo de renovação política, ou à manutenção da Rede em condições mínimas”, argumentou.

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Agora, a Rede ficará contando apenas com uma deputada, Joênia Wapichana, e três senadores: Randolfe Rodrigues (AP), Flávio Arns (PR) e Fabiano Contarato (ES).

Esse é um filme repetido. Quando surgiu, apoiado no imenso capital eleitoral de 22,1 milhões de votos de Marina após o pleito de 2014, o partido angariou cinco deputados federais, mas foi gradualmente perdendo a capilaridade.

Primeiro Eliziane Gama (MA) que voltou para o PPS e depois Alessandro Molon (ex-PT) e Aliel Machado (ex-PCdoB), que deixaram o partido para ingressar no PSB. Nesses casos, o ponto de divergência foi a posição de Marina em temas caros à esquerda, como o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

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