As armas de Camilo Santana para se firmar como alternativa a Lula em 2026
Ministro da Educação é um nome em ascensão no xadrez para saber quem pode substituir o atual presidente caso ele não dispute a eleição presidencial

Apesar de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já planejar uma disputa à reeleição em 2026, outros nomes começam a surgir no horizonte das fileiras petistas. A ventilação de possíveis alternativas se deve, principalmente, a incertezas a respeito das condições físicas e políticas do atual presidente para um quarto mandato — ele estará com quase 81 anos de idade na eleição.
Embora o favorito seja o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que disputou a eleição de 2018, quando Lula estava preso, e foi ao segundo turno contra Jair Bolsonaro, um dos postulantes em ascensão é o ministro da Educação, Camilo Santana, como mostra reportagem da edição de VEJA desta semana.
O comandante do MEC reúne uma série de trunfos que poderão ser úteis na definição de quem irá representar o governo na disputa contra o candidato do campo de Bolsonaro no próximo ano.
Um dos aspectos mais óbvios é o triunfo político que Camilo teve nos últimos anos. Governador do Ceará por dois mandatos (2014-2022), ele elegeu seu sucessor, o atual governador Elmano de Freitas (PT), em primeiro turno e foi responsável pela vitória do atual prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão. O prefeito, que nas primeiras pesquisas aparecia bem longe do pódio, foi o único petista eleito para comandar uma capital brasileira em 2024. Em 2022, ao eleger Elmano, Camilo também se cacifou para o posto de senador, sendo eleito com mais de 70% dos votos cearenses.
Já como ministro da Educação, Camilo reúne números igualmente notáveis, com índices positivos de gestão e um catálogo de programas bem avaliados e promissores coordenados pela pasta.
Por enquanto, o ministro da Educação é o único na Esplanada que tem a avaliação positiva superior à negativa junto à população. Pesquisa Ipec de dezembro mostrou que a educação é avaliada positivamente por 37% do eleitorado, como regular por 27% e como ruim ou péssima por 34%. Os resultados se sobressaem em meio a um governo que enfrenta dificuldades em várias áreas, da saúde à economia. Na mesma sondagem, o combate à inflação, alçada do “adversário” Haddad, foi tido como ruim ou péssimo por 47% dos brasileiros.

Soma-se ao cenário favorável o lançamento de programas de sucesso. O Pé-de-Meia Ensino Médio, iniciativa do MEC que concede bolsas a estudantes por desempenho e assiduidade, já é um dos maiores programas sociais e vitrines da gestão Lula. Lançado em 2023, o programa já beneficia 4 milhões de estudantes, com 12,5 bilhões de reais desembolsados anualmente.
O êxito da iniciativa ensejou o anúncio recente de duas novas modalidades de incentivo criadas com o objetivo de aumentar o número de docentes na rede pública: o Pé-de-Meia Licenciaturas e o Bolsa Mais Professores.
Por último, mas não menos importante, pesa a favor do ministro numa eventual corrida ao Planalto o fato de ele ser do Nordeste, hoje o único grande feudo eleitoral do PT. Camilo e Elmano têm insistido na presença de Lula no estado, com entregas justamente na área que é a “menina dos olhos” do governo federal atualmente: a educação.