ASSINE VEJA NEGÓCIOS
Imagem Blog

Maílson da Nóbrega

Por Coluna Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Blog do economista Maílson da Nóbrega: política, economia e história

O pobre não saiu do Orçamento

O pobre entrou no Orçamento com Sarney e nele permanece

Por Maílson da Nóbrega 18 dez 2022, 11h03 | Atualizado em 19 dez 2022, 12h11

O PT é mestre em criar frases de efeito político pobres de conteúdo. São, todavia, ricas em emoção e capazes de obter apoio do grande público, não raramente de pessoas que teriam a capacidade de perceber que não fazem sentido. Foi o caso da “herança maldita” que Lula teria recebido do governo de FHC. A frase, repetida à exaustão pelo próprio presidente e por membros do seu governo, acabou pegando. Na verdade, foi o contrário. Lula havia recebido uma herança bendita fundamental para o êxito de seu primeiro mandato: tripé macroeconômico, contas públicas em ordem, balanço de pagamentos saudável, um acordo em vigor com o FMI e economia em crescimento.

A frase da vez busca gerar a impressão de que o pobre saiu do Orçamento. Lula e Gleisi Hoffmann a repetem sempre que podem. O futuro ministro da Fazenda, Fernando Haddad já entrou na onda. “Lula me pediu para colocar pobre no Orçamento e rico no imposto de renda”, disse Haddad, acrescentando o sentido Robin Hood da tributação adicional dos ricos.

Na realidade, os pobres entraram no Orçamento de forma permanente desde a redemocratização. A primeira iniciativa foi do presidente José Sarney, que em 1986 criou o Programa Nacional do Leite para Crianças Carentes – PNLCC, que permitiu a cerca de 10 milhões de crianças pobres terem acesso a esse alimento. O programa foi posteriormente absorvido por iniciativas mais amplas.

No governo de FHC, a Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS (Lei 8.742, de 1993) criou o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que tem por objetivo principal amparar pessoas à margem da sociedade e que não podem prover seu sustento. O BPC continua no Orçamento. 

Coube ainda a FHC criar quatro programas sociais – Bolsa Escola, Bolsa Alimentação, Cartão Alimentação e Auxílio Gás – que deram origem ao Bolsa Família no primeiro mandato do presidente Lula incorporados que foram a uma ação mais ampla. O Bolsa Família se tornaria a mais bem-sucedida iniciativa para reduzir a pobreza extrema e obrigar as famílias beneficiadas a colocar seus filhos na escola e dedicar cuidados à saúde deles, principalmente via vacinação. 

Continua após a publicidade

Comumente tido como um programa meramente assistencialista, o Bolsa Família tem, ao contrário, o objetivo de interromper o ciclo de pobreza das famílias assistidas, buscando assegurar o acesso das crianças e adolescentes à educação de qualidade aos filhos, objetivos que infelizmente não foram totalmente alcançados. 

Bolsonaro, em seus esforços para reeleger-se, reestruturou o Bolsa Família por uma alternativa menos eficaz e cheia de defeitos a que denominou Auxílio Brasil. Agora, Lula deverá restabelecer seu nome e características originais. 

É fácil perceber que a nova frase do PT, que já vem sendo repetida por petistas e pessoas bem informadas, não passa de mais uma estratégia de marketing político, destinada a descredenciar o antecessor de Lula, como se fez em relação a FHC. 

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Duas mulheres sorridentes, uma mais velha com cabelo cacheado e uma mais jovem com cabelo liso, abraçadas, usando camisas brancas, em um fundo claro. À esquerda, um ícone de árvore roxa estilizadaDuas mulheres sorridentes, uma mais jovem com a cabeça apoiada no ombro da outra, ambas vestindo camisas brancas, em um fundo claro com um ícone de árvore roxa à esquerda
OFERTA RELÂMPAGO

Digital Completo

O mercado não espera ¿ e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital , você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 52% OFF

Revista em Casa + Digital Completo

Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
De: R$ 26,90/mês
A partir de R$ 12,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).