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Coluna da Lucilia

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Revisitando as palavras

O que a linguagem diz sobre o mundo

Por Lucilia Diniz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 10 jan 2025, 11h19 - Publicado em 10 jan 2025, 06h00

Passado o momento de balanço que marca cada virada de ano, com seus fogos de artifício e brindes à meia-noite, reabro os trabalhos neste espaço desejando que você tenha aproveitado bem as festas e tido dias de descanso. E que — caso isso o tenha afetado — possa ter vencido o tal brain rot, o “apodrecimento cerebral” que dicionaristas ingleses julgaram ter sido o fenômeno definidor de 2024.

A escolha anual de um termo capaz de representar o zeitgeist, ou espírito do tempo, já se tornou tradição entre os britânicos. E, para a equipe do dicionário Oxford, que há duas décadas promove uma dessas seleções, o ano passado foi marcado por essa suposta deterioração mental ou intelectual, decorrente do consumo exagerado de informação rasa. Resumindo em bom português, foi o ano do “apodrecimento cerebral”.

Enquanto muitos debatiam o brain rot em suas origens, suas causas e seus antecedentes, fiquei pensando nos seus desdobramentos futuros. O que poderíamos fazer para que 2025 não estivesse sob sua influência?

A resposta surgiu quando notei um lapso de fala, tão gracioso quanto revelador. Percebi que, ao comentar o termo, algumas pessoas trocavam rot, apodrecer, por root, raiz. Esse deslize de pronúncia me levou a refletir: e se a chave para mudar esse quadro fosse “enraizar” mais a mente?

Sou uma entusiasta de novidades, incluídas aí as mudanças tecnológicas que surgem em ritmo quase diário, para fascínio de nossos olhos e ouvidos. Por outro lado, é difícil negar: os olhos às vezes vagam à toa por tempo demais, e os ouvidos estão sempre alertas a notificações variadas. Nossos sentidos, assim, são seduzidos por conteúdos moldados por algoritmos que parecem capazes de ler nossos pensamentos. Mas o conforto de ficar sabendo de tudo sem esforço cobra seu preço. O cérebro acaba sobrecarregado. É um fato: ele, como o resto do corpo, precisa de exercício para se manter saudável.

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“É preciso reconhecer que estamos meio ‘enfeitiçados’ pelo frenesi informativo”

Isso pode significar ler um livro, escrever uma crônica, cozinhar algo novo ou dirigir sem ajuda do GPS. Esses e tantos outros pequenos gestos costumam ser associados à “desconexão”, no sentido digital — eu diria, porém, que são de reconexão íntima.

Talvez esteja na hora de indagar se não estamos, sem perceber, minando nossa capacidade de pensar criticamente, de avaliar o mundo em profundidade ou até de simplesmente nos entediar de forma criativa. Reconhecer que estamos meio “enfeitiçados” pelo frenesi informativo é o primeiro passo para encher nosso vocabulário com novos termos, mais benéficos.

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Podemos plantar agora, no começo do calendário, as sementes de um tempo mais “ancorado”. Trabalhar ativamente para que, no fim do ano, o nosso vocabulário não reflita dispersão e cansaço, mas outras atitudes e estados de ânimo. Palavras como “foco”, “curiosidade” e “acolhimento” podem ser sementes para projetos e desejos.

Afinal, a linguagem não é apenas um reflexo do mundo: ela também o molda. Os termos que escolhemos empregar são os que expressam nossas ideias mais importantes e representam nossos principais valores. A palavra do ano pode até ser o retrato de um sentimento coletivo, mas este se constrói pela ação de cada um. Por isso convido você a revisitar as palavras e escolher, desde agora, com quais escreveremos a história em 2025.

Publicado em VEJA de 10 de janeiro de 2025, edição nº 2926

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