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Coluna da Lucilia

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Um espaço para discutir bem estar, alimentação saudável e inovação

A lei das afinidades

A química das relações pessoais não é apenas metafórica

Por Lucilia Diniz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 17 out 2025, 06h00 • Atualizado em 17 out 2025, 12h16
  • Nas últimas semanas, a palavra “química” ganhou as manchetes para descrever a aproximação entre dois líderes de trajetórias e visões muito distintas. De fato, talvez só a ciência das transformações seja capaz de explicar algumas formas de sintonia. Na prática, as mudanças químicas estão presentes em aspectos tão cotidianos quanto o florescer das plantas no jardim e os processos culinários; mas, de forma menos evidente, estão também na amizade, no amor e, agora vemos, até na política. Sem risco de exagero, dá para dizer, na verdade, que ela está em tudo. Toda a matéria, afinal, é feita de substâncias que se combinam, se atraem ou se repelem, se transformam. Desde o começo dos tempos, aliás.

    Muito antes de qualquer encontro entre pessoas, já havia química entre moléculas: na mistura de elementos que ficou conhecida como “caldo primordial”, faíscas e reações deram origem aos primeiros traços de vida na Terra. A fotossíntese que sustenta o reino vegetal e a oxidação que deteriora os minerais são processos químicos. As transformações da digestão, em que as enzimas quebram proteínas, gorduras e carboidratos, também são pura química, ocorrendo dentro do nosso corpo. Em anos recentes, a gastronomia molecular evidenciou a semelhança entre a cozinha e o laboratório. Mas, quando preparamos uma refeição, a química age o tempo todo, de maneira mais discreta do que nas esferas, espumas e fumaças dos chefs. Ela está na fermentação do iogurte, na caramelização do açúcar e na reação de Maillard que dá o tom dourado a pães e carnes.

    “Processos infelizes: dizemos que um encontro ‘desandou’ ou que o ambiente ‘azedou’ ”

    A química é a ciência que mais se parece com a magia. Quando ainda não dominávamos a tabela periódica, as transformações dos elementos eram objeto da alquimia. A finalidade desses pesquisadores medievais era quase mística: achar a pedra filosofal, que transformaria qualquer metal em ouro, e a panaceia, o elixir da longa vida. Conforme o conhecimento evoluiu, a mágica foi sendo explicada. No século XVIII, passou-se a falar da “afinidade química” que fazia com que as substâncias tivessem uma tendência a se unir. Daí surgiu a metáfora para as atrações humanas. Como as reações na bancada de experimentos, as relações, no convívio diário, precisam chegar ao ponto certo, com o pH emocional ajustado e uma dose de paciência. Porém a química das relações interpessoais não é apenas metafórica. Ela se explica realmente por uma soma de reações e comportamentos sincronizados, que age no nosso sistema de recompensas.

    O resultado é algo tão valioso quanto o ouro dos alquimistas: o conforto do entendimento mútuo. Mas, da mesma forma como fatores insondáveis levam ao sucesso de uma descoberta no tubo de ensaio, a mistura também pode dar errado sem grandes avisos. Encontros de personalidades conflitantes podem ser mais explosivos que um experimento mal-sucedido com ácido sulfúrico. Não à toa, a linguagem está marcada por metáforas que ilustram processos químicos infelizes. Dizemos que um encontro “desandou” — como acontece com uma receita de bolo — ou que o ambiente “azedou” — como um leite que talha. Talvez seja essa a lição embutida na palavra que anda tão em voga. Na vida, precisamos dosar emoções e deixar os processos evoluírem naturalmente, buscando a afinidade dos elementos.

    Publicado em VEJA de 17 de outubro de 2025, edição nº 2966

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