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Plutão e sua maior lua nasceram de um “beijo cósmico”, revela estudo

Após o impacto, eles giraram juntos brevemente antes de se separarem

Por Marília Monitchele Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 6 jan 2025, 13h30

Há bilhões de anos, em uma atmosfera gelada, havia dois mundos vagando nos confins do nosso Sistema Solar. Em vez de se destruírem ao colidir, eles protagonizaram um evento cósmico único: um breve “beijo”, que os uniu momentaneamente como um boneco de neve celestial. Essa dança cósmica terminou com os dois corpos celestes separados, mas eternamente ligados por uma órbita comum. De acordo com um novo estudo feito pela Nasa em parceria com a Universidade do Arizona, esse balé celestial pode explicar a origem de Plutão e sua maior lua, Caronte.

Uma nova explicação para a formação de Plutão e Caronte

Por décadas, cientistas acreditaram que Caronte, a lua anormalmente grande de Plutão, se formou de maneira semelhante à da nossa própria Lua: uma colisão gigantesca que gerou materiais que eventualmente se fundiram para criar o satélite natural. Mas esse modelo sempre teve lacunas quando aplicado ao sistema Plutão-Caronte, que é muito menor, mais frio e composto principalmente de gelo e rocha.

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A nova análise, porém, revelou um tipo inédito de colisão cósmica, apelidado de “beijo e captura”. Em vez de um impacto violento que deformaria os corpos celestes, a força estrutural do gelo e da rocha permitiu que Plutão e Caronte permanecessem praticamente intactos. Após o impacto, eles giraram juntos brevemente antes de se separarem, formando o sistema binário que conhecemos hoje.

“A maioria dos cenários de colisão planetária é classificada como ‘bater e correr’ ou ‘roçar e se fundir’. O que descobrimos é algo totalmente diferente – um cenário de ‘beijo e captura’, onde os corpos colidem, ficam juntos brevemente e então se separam, permanecendo gravitacionalmente ligados”, disse, em nota, Adeene Denton que conduziu a pesquisa no Laboratório Lunar e Planetário da Universidade do Arizona .

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O que faz essa descoberta ser tão especial?

A pesquisa, publicada na revista Nature Geoscience, utilizou simulações de alta tecnologia para recriar o impacto. Os resultados não apenas explicam a formação de Caronte, mas também resolvem um mistério antigo: como Plutão poderia ter um oceano subterrâneo mesmo sem ter se formado nas regiões mais quentes e radioativas do Sistema Solar.

Segundo Denton, a energia liberada pelo impacto e as forças gravitacionais entre os dois corpos geraram calor interno suficiente para derreter parte do gelo em Plutão. Esse calor pode ter criado condições para a existência de um oceano líquido sob sua crosta gelada – algo que intriga os cientistas planetários há anos.

Por que isso importa?

A descoberta muda de forma significativa o que sabemos sobre o passado de Plutão e Caronte, mas também abre novas possibilidades sobre a formação de outros sistemas binários no Universo. Erik Asphaug, coautor do estudo, destacou que o modelo utilizado pela equipe conseguiu explicar tanto a formação de Caronte quanto sua posição atual na órbita de Plutão – um “dois em um” que torna a teoria ainda mais convincente.

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O que vem a seguir?

Os pesquisadores planejam explorar como o calor gerado pela colisão e as forças de maré moldaram a evolução geológica de Plutão e Caronte. Eles também pretendem investigar se eventos semelhantes podem ter ocorrido em outros sistemas binários espalhados pelo espaço.

“Estamos particularmente interessados ​​em entender como essa configuração inicial afeta a evolução geológica de Plutão”, disse Denton. “O calor do impacto e as forças de maré subsequentes podem ter desempenhado um papel crucial na formação das características que vemos na superfície de Plutão hoje.”

 

 

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