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Por vitor.nalin 1 abr 2026, 16h31 •

No último fim de semana, a primeira-dama Janja da Silva postou um vídeo mostrando o presidente da República se exercitando na academia do Palácio da Alvorada. “Domingo começou forte! Aliás, todo dia é assim”, dizia a legenda. A gravação tem apenas 21 segundos. Nela, o presidente aparece fazendo um exercício, com pesos atados às pernas, repetindo com admirável agilidade uma sequência de flexões de joelho, normalmente não muito fácil de ser executada por alguém com 80 anos de idade. Impulsionada pela militância, a imagem viralizou — algo parecido com o que aconteceu em 2022, quando a assessoria de campanha do então candidato Lula divulgou uma foto do petista vestindo uma sunga. O objetivo, na época, era cortar pela raiz falsos boatos que circulavam sobre a saúde dele. Quatro anos depois, a estratégia se repete. Desta vez, o presidente vai disputar o Planalto contra um adversário 36 anos mais jovem. Se eleito, encerrará o quarto mandato com 85 anos. Parece fundamental, portanto, mostrar que ele ainda tem energia, disposição e força para enfrentar a maratona eleitoral, além de capacidade para governar o país por mais um período, se for o caso.

POPULARIDADE - Javier Milei: performances bem extravagantes
POPULARIDADE - Javier Milei: performances bem extravagantes (//Reprodução)

O vídeo, não por coincidência, foi postado um dia depois de o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato oposicionista, participar de um evento no Rio Grande do Norte, onde dançou diante de uma plateia de apoiadores. A cena do parlamentar pulando freneticamente de um lado para outro também viralizou. A “dancinha” é parte da estratégia de construir uma imagem menos sisuda do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro — semelhante ao que costuma fazer, por exemplo, o presidente argentino Javier Milei, protagonista de algumas performances bem esquisitas. Nas redes sociais, bolsonaristas aproveitaram as imagens para fazer comparações entre as condições físicas do candidato do PL e as do atual presidente. Levantamento realizado pela consultoria Bites mostra que o vídeo de Flávio alcançou 54 milhões de visualizações e mais de 200 000 interações, números comemorados pela assessoria do pré-candidato, que não estimula, mas também não condena esse tipo de embate digital. Já o vídeo de Lula, postado no Instagram por apenas 24 horas, registrou entre 50 e 150 000 visualizações.

A repercussão do embate nas redes sugere que a idade avançada do presidente, mesmo que de maneira indireta, será usada como munição eleitoral pela oposição durante a campanha. A diferença de idade entre eles é a maior registrada entre dois favoritos ao Palácio do Planalto nos últimos anos. Em público, assessores de Flávio Bolsonaro descartam que vão explorar esse tema. Há uma preocupação da campanha em evitar qualquer manifestação que possa ser considerada como crime de etarismo. “O problema principal não é a idade. Lula está no centro do palco político há quarenta anos e há quase vinte no poder. É isso que ninguém aguenta mais”, ressalta um aliado. Assessores de Lula também garantem que não há a mínima preocupação da pré-campanha com essa discussão. A postagem do fim de semana, assim como outras idênticas feitas anteriormente, não faria parte de qualquer estratégia oficial. Teria sido uma iniciativa pessoal da primeira-dama. “O embate eleitoral vai se concentrar em temas de economia, segurança e corrupção”, prevê um auxiliar do presidente.

FRAGILIDADE - Biden: idade avançada tirou o presidente americano da disputa
FRAGILIDADE - Biden: idade avançada tirou o presidente americano da disputa (Brendan Smialowski/AFP)
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A discussão sobre idade avançada de um candidato não ocorre apenas no Brasil. Em 2024, o presidente americano Joe Biden, então com 81 anos, desistiu de disputar a reeleição por pressão de seu próprio partido diante das dúvidas sobre sua capacidade cognitiva. No caso de Lula, a fim de evitar mais uma vez os rumores difundidos, na época das eleições de 2022 as redes sociais foram inundadas de imagens do presidente correndo, treinando na academia e, em tom de brincadeira, afirmando que viveria pelo menos até os 120 anos. Especialistas avaliam que a divulgação de cenas de candidatos exaltando a própria vitalidade por meio de dancinhas ou exercícios físicos é útil para consolidar uma imagem, mas há dúvidas se isso se reverterá em votos. “As dancinhas do Flávio são criticadas pela falta de naturalidade”, ressalta André Eler, diretor técnico da Bites. “O nível de repercussão, no entanto, foi quase o dobro do da média de outras publicações que o senador costuma fazer”, acrescenta. “Essas performances ajudam a criar uma imagem diferenciada, uma forma de o candidato se afastar da imagem do político tradicional”, diz Nara Pavão, professora de ciência política da Universidade Federal de Pernambuco. Ela, porém, faz a seguinte ressalva: “Esse tipo de conteúdo tende a engajar audiências cativas e bolhas, mas isso não necessariamente se transformará em votos”. O fato é que dancinhas e exibições de força não oferecem ao eleitor o que realmente importa para que ele possa separa o joio do trigo e escolher com alguma racionalidade quem tem as melhores propostas para enfrentar e solucionar os problemas do país.

Publicado em VEJA de 27 de março de 2026, edição nº 2988

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