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Em conversa, Deltan comemorou a entrada de Moro no Telegram

Quatro anos depois, publicação de conversas ocorridas no aplicativo geraria crise na Lava-Jato e no governo Bolsonaro

Por Glenn Greenwald, Edoardo Ghirotto, Fernando Molica, Leandro Resende e Roberta Paduan
5 jul 2019, 08h55 • Atualizado em 5 jul 2019, 11h20
  • Em julho de 2015, o procurador Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da Operação Lava-Jato, comemorou a adesão de Sergio Moro ao aplicativo de mensagens já então utilizado por integrantes do grupo que investigava a corrupção na Petrobras: “Bem vindo ao telegram!!”.

    O diálogo inédito faz parte do material analisado por VEJA em parceria com o site The Intercept Brasil. Só uma pequena parte do material havia sido divulgada até agora — e ela foi suficiente para causar uma enorme polêmica. A reportagem realizou o mais completo mergulho já feito nesse conteúdo. Foram analisadas pela 649.551 mensagens. Palavra por palavra, as comunicações examinadas pela equipe são verdadeiras e a apuração mostra que o caso é ainda mais grave. Moro cometeu, sim, irregularidades. Fora dos autos (e dentro do Telegram), o atual ministro pediu à acusação que incluísse provas nos processos que chegariam depois às suas mãos, mandou acelerar ou retardar operações e fez pressão para que determinadas delações não andassem. Além disso, revelam os diálogos, comportou-se como chefe do Ministério Público Federal, posição incompatível com a neutralidade exigida de um magistrado. Na privacidade dos chats, Moro revisou peças dos procuradores e até dava broncas neles.

    Cinco meses depois da primeira conversa, Dallagnol instrui o juiz a utilizar o aplicativo também em seu computador. Em resposta, Moro cita ter dificuldades com o mundo virtual: “O tico e o teco da informática aqui nao sao muito espertos.”  Quase quatro anos depois, conversas mantidas no Telegram seriam obtidas pelo site The Intercept Brasil e provocariam a maior crise enfrentada pela Operação Lava-Jato.


    Nota da redação: procurados por VEJA, Deltan Dalla­gnol e Sergio Moro não quiseram receber a reportagem. Ambos gostariam que os arquivos fossem enviados a eles de forma virtual, mas, alegando compromissos de agenda, recusaram-se a recebê-­los pessoalmente, uma condição estabelecida por VEJA. Mesmo sem saber o conteúdo das mensagens, a assessoria do Ministério da Justiça enviou a seguinte nota: “A revista Veja se recusou a enviar previamente as informações publicadas na reportagem, não sendo possível manifestação a respeito do assunto tratado. Mesmo assim, cabe ressaltar que o ministro da Justiça e Segurança Pública não reconhece a autenticidade de supostas mensagens obtidas por meios criminosos, que podem ter sido adulteradas total ou parcialmente e que configuram violação da privacidade de agentes da lei com o objetivo de anular condenações criminais e impedir novas investigações. Reitera-­se que o ministro sempre pautou sua atuação pela legalidade”.

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    Colaboraram Leandro Demori, Victor Pougy, Nonato Viegas e Bruna de Lara


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    Conheça a trajetória do procurador da República que se viu no centro de uma grande controvérsia. Ouça:

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