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Datas: Dennis Carvalho e Neil Sedaka

As despedidas que marcaram a semana

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 6 mar 2026, 06h00 • Atualizado em 6 mar 2026, 13h19
  • “Eu vi um Brasil na TV”, canta Chico Buarque em Bye Bye Brasil, de 1980, clássico da MPB. Sem o ator e diretor Dennis Carvalho, o país que saía da ditadura para a democracia, a partir de meados dos anos 1970, talvez nunca tivesse passado pelas telas. Carvalho chegou à Globo, em 1975, para ser o galã da novela Roque Santeiro, que seria censurada. Naquele ano, faria sucesso como o publicitário Nélio Porto Rico, em Pecado Capital, folhetim que Janete Clair precisou escrever às pressas para substituir a trama proibida de seu marido, Dias Gomes.

    Charmoso, de sorriso aberto e um quê de ironia, Carvalho logo mergulhou nos bastidores das gravações — e foi como diretor que fez história. Começou como assistente de Daniel Filho em Dancin’ Days, de 1978, quando então o cotidiano moderno, de evidentes mudanças comportamentais, começou a fazer parte das histórias. Em parceria com Ricardo Waddington, comandou a primeira versão de Vale Tudo, de 1988. Até hoje, nos bastidores da Globo, corre como lenda a firmeza com que dirigiu a cena do assassinato de Odete Roitman. Outros marcos de sua carreira foram as séries Malu Mulher, de 1979, com Regina Duarte no papel central; e Anos Rebeldes, escrita por Gilberto Braga, de 1992, que ajudou a alimentar os protestos dos caras-pintadas que saíram às ruas pedindo o impeachment de Fernando Collor, cuja derrocada começou com uma capa de VEJA. Carvalho morreu em 28 de fevereiro, aos 78 anos.

    Antes da jovem guarda

    VERSÃO - Neil Sedaka: “Oh, Cupido, vê se deixa em paz, meu coração...”
    VERSÃO - Neil Sedaka: “Oh, Cupido, vê se deixa em paz, meu coração…” (Bettmann Archive/Getty Images)

    Há um modo fascinante de seguir o sucesso do compositor e cantor americano Neil Sedaka — as versões de suas baladas românticas e rocks tolinhos para o português, a partir do fim dos anos 1959. Celly Campelo gravou Estúpido Cupido, com letra de Fred Jorge, que Sedaka havia lançado um pouco antes, e então os versos colaram no inconsciente brasileiro: “Oh, Cupido, vê se deixa em paz, meu coração que já não pode amar”. Vieram depois O Diário (The Diary) e Oh! Carol, assim mesmo, literal. Pode-se dizer, portanto, que Sedaka estava na antessala da Jovem Guarda de Roberto, Erasmo, Wanderléa e cia. De rigorosa formação clássica, pianista de excelência, Sedaka também tinha dom para se apresentar em público, o que o fez popular e adorado, antes que os Beatles tocassem pela primeira vez nos Estados Unidos, levando-o para o acostamento, tratado como coisa antiga e ultrapassada, para ouvidos de pais e avós. O resto é história. Morreu em 27 de fevereiro, aos 86 anos.

    Publicado em VEJA de 6 de março de 2026, edição nº 2985

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