Avatar do usuário logado
Usuário
OLÁ, Usuário
Ícone de fechar alerta de notificações
Avatar do usuário logado
Usuário

Usuário

email@usuario.com.br
Oferta de Verão: VEJA por apenas 7,99

Crônica de um desastre anunciado

Além de Barão de Cocais, Santa Bárbara e São Gonçalo do Rio Abaixo estão na rota da lama

Por Jennifer Ann Thomas, de Barão de Cocais (MG)
31 Maio 2019, 07h00 • Atualizado em 4 jun 2024, 16h01
  • É como se todos os relógios em Barão de Cocais — município mineiro de 30 000 habitantes a 90 quilômetros de Belo Horizonte — tivessem estacado. A cidade, de 300 anos, parou no tempo. Desde 8 de fevereiro, data em que 454 pessoas, de quatro comunidades, foram retiradas de suas casas, a população vive numa angustiante espera diante da expectativa do rompimento da Barragem Sul Superior da Mina de Gongo Soco, da mineradora Vale. A estrutura retém cerca de 6 milhões de metros cúbicos de rejeitos de extração de minério de ferro, metade do volume que causou o desastre de Brumadinho, em janeiro passado, com saldo de 270 vítimas. O talude, espécie de parede de contenção que compõe a mina, deve desabar ou deslizar, o que pode gerar vibrações de grande intensidade e, dessa maneira, provocar o rompimento da barragem. O clima de tensão chegou ao ápice quando a própria Vale estimou que o pior aconteceria entre os dias 19 e 25 de maio, o que não se confirmou.

    Além de Barão de Cocais, Santa Bárbara e São Gonçalo do Rio Abaixo estão na rota da lama. Mas é sabido que Cocais será mesmo o município mais afetado pelos rejeitos. Como parte das medidas de prevenção destinadas a minimizar os danos da catástrofe, as áreas que correm risco maior de ser engolfadas pelo lamaçal foram sinalizadas com uma pintura laranja no meio-fio — o infortúnio iminente ganhou forma e cor.

    Enquanto não se dá o rompimento, a população dorme e acorda pensando na barragem. O temor de cair em sono profundo e a preocupação em deixar as malas prontas são alguns dos sintomas relatados pelos moradores das cidades ameaçadas. Odete de Jesus, de 74 anos, é o retrato do desalento que tomou conta dos habitantes de Barão de Cocais. Ela se recusa a sair da casa onde vive, situada na rota dos rejeitos. “Vou para onde? Não tenho mais para onde ir. Se alguma coisa acontecer, alguém passa aqui e me busca de carro”, diz ela, como que hipnotizada pela tinta do perigo que marca a beira da calçada.

    Publicado em VEJA de 5 de junho de 2019, edição nº 2637

    Continua após a publicidade
    carta
    Continua após a publicidade
    Envie sua mensagem para a seção de cartas de VEJA
    Qual a sua opinião sobre o tema desta reportagem? Se deseja ter seu comentário publicado na edição semanal de VEJA, escreva para veja@abril.com.br
    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    OFERTA DE VERÃO

    Digital Completo

    A notícia em tempo real na palma da sua mão!
    Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    OFERTA DE VERÃO

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 7,50)
    De: R$ 55,90/mês
    A partir de R$ 29,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.