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Prorrogamos a Black: VEJA com preço absurdo

A vida discreta no cárcere de Robinho, que trava luta nos tribunais por liberdade

Estrela de uma época do futebol brasileiro foi condenado por estupro

Por Isabella Alonso Panho Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 21 nov 2025, 12h32 - Publicado em 21 nov 2025, 06h00

Era 26 de agosto de 2005 quando Robinho, aos 21 anos, desembarcou na Espanha para ser o novo astro do Real Madrid, o maior clube do mundo. Nascido em São Vicente, na Baixada Santista, o jogador fez carreira por uma década na Europa, onde atuou também por Manchester City e Milan, antes de voltar ao Santos, que o havia lançado ao estrelato. Pouco mais de vinte anos depois, Robinho fez outra viagem, desta vez melancólica: percorreu cerca de 250 quilômetros, partindo de Tremembé rumo a Limeira, cidades no interior de São Paulo, para a sua nova morada. Diferentemente das camisetas de times famosos que ostentou pelo mundo, desta vez ele vestia o uniforme do sistema prisional do estado de São Paulo, que usa desde março de 2024, em razão de uma condenação pela Justiça italiana a nove anos de prisão por ter participado em 2013 do estupro coletivo de uma jovem albanesa numa boate em Milão.

QUEDA - Ex-craque posa para ficha criminal: mais de um ano na cadeia
QUEDA - Ex-craque posa para ficha criminal: mais de um ano na cadeia (./Reprodução)

A mudança de endereço foi pedida por Robinho, incomodado com o fato de o presídio ter virado assunto em razão do sucesso da série Tremembé, da Prime Video. O novo destino, o Centro de Ressocialização de Limeira, é bem mais novo, construído em 2001 (Tremembé é de 1955), e tem bem menos presos (256 ante 452), embora com 27 a mais que a sua capacidade, enquanto em Tremembé sobram vagas. As duas unidades têm projetos de ressocialização, oportunidades de trabalho e remição de pena, abrigando regimes fechado e semiaberto. Os detalhes da estrutura interna das unidades são mantidos em sigilo, mas Limeira tem alojamentos, oficinas, salas de aula, lavanderia, quadra esportiva, refeitório e uma horta, que é cultivada pelos detentos. A unidade é exclusiva para réus primários, com penas de até dez anos e sem vínculo com facções.

Enquanto busca mais tranquilidade, Robinho segue lutando na Justiça para deixar a prisão. Embora o seu caso tivesse se arrastado nos tribunais — a ação penal na Itália terminou em 2022 e ele só foi preso dois anos depois, em Santos, onde a sua família reside —, ele, desde então, só acumulou derrotas. Seus advogados, do escritório do ex-ministro do TSE José Eduardo de Alckmin, já impetraram três habeas corpus no Supremo Tribunal Federal, sem sucesso. As duas primeiras ações questionaram aspectos técnicos da homologação da sentença estrangeira. O máximo que a defesa conseguiu foi um voto favorável de Gilmar Mendes em um dos processos, mas o ministro foi vencido por dez votos a um. A ação mais recente, deste mês, pede a retirada do rótulo de crime hediondo da condenação — na Itália, é considerado crime comum —, para que ele possa pleitear neste ano a progressão de regime, algo que só seria possível em 2027 nas condições atuais. A Procuradoria-Geral da República já opinou contra — agora cabe ao relator, Luiz Fux, decidir.

NO AUGE - Gol pelo Real Madrid: dez anos atuando na Europa
NO AUGE - Gol pelo Real Madrid: dez anos atuando na Europa (Denis Doyle/Getty Images)
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A vida no cárcere do astro que disputou duas Copas do Mundo (2006 e 2010) pelo Brasil foi até aqui a de um preso comum. O ex-atleta não tem problemas de comportamento registrados, não se envolveu em brigas e tem com os colegas o mesmo carisma dos tempos de jogador. Robinho não trabalha, mas tem feito cursos, o que já lhe permitiu abater 69 dias do tempo de prisão. Em Tremembé recebia semanalmente a visita da esposa, Vivian Guglielmetti, com quem é casado desde 2009, e dos três filhos — o mais velho, de 17 anos, veste a camisa do Santos com o nome de Robinho Jr. e já fez doze jogos pelo time principal no Brasileiro deste ano. Protegido por Neymar Jr., que atuou com seu pai e agora atua com ele, Robson Junior é aconselhado pelo pai e pelo empresário Wagner Ribeiro, que descobriu Robinho e é amigo pessoal da família.

A discrição de Robinho também tem sido a marca fora de campo. Desde que foi preso, nunca aceitou conceder uma entrevista. A única vez que deu declaração pública foi em outubro, em vídeo publicado pelo Conselho da Comunidade de Taubaté no qual negou que teria privilégios no presídio. “Não sou tratado diferente porque fui jogador de futebol”, diz o ex-atleta no começo do vídeo. Depois, refuta que tenha problemas psicológicos. “Nunca tive que tomar remédio. Apesar da dificuldade que é estar em uma penitenciária, sempre tive a cabeça boa e estou fazendo tudo aquilo que todos os reeducandos podem fazer”, diz no vídeo, no qual também aparece Thiago Brennand, empresário condenado por estuprar e torturar mulheres com quem se relacionou e com o qual Robinho rivalizaria no posto de “celebridade” na prisão. O ex-atleta também fez amizade com o hacker Walter Delgatti Neto, que ficou famoso por divulgar conversas da Lava-Jato e que chegou a anunciar que os dois sonham em ter juntos um site de apostas.

NOVO LAR - Presídio de Limeira (SP): transferência foi um pedido do ex-atleta
NOVO LAR - Presídio de Limeira (SP): transferência foi um pedido do ex-atleta (./Reprodução)
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A pessoas com quem tem contato, Robinho disse que se incomoda com a exposição midiática. Afirma que não quer mais aparecer “por baixo”, ou seja, com o uniforme da penitenciária. Sonha em ser visto saindo da prisão pela porta da frente após cumprir a pena. O seu caso pode, de fato, servir de exemplo de como ninguém deve estar acima da lei. É assim o jogo limpo e implacável da Justiça.

Publicado em VEJA de 21 de novembro de 2025, edição nº 2971

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