O brasileiro Matheus Silveira, de 31 anos, natural do Rio de Janeiro, está detido nos Estados Unidos desde novembro de 2025 sob custódia do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). Segundo relatos feitos à família e à imprensa, ele afirma estar submetido a condições “deploráveis” em um centro de detenção no estado da Louisiana.Silveira vivia em San Diego, na Califórnia, desde 2019. Inicialmente no país com visto de estudante, ele se casou em 2024 com a americana Hannah Silveira e deu início ao processo de regularização migratória para obtenção do green card, documento que concede residência permanente nos Estados Unidos. O visto anterior havia expirado durante a pandemia, mas o pedido de residência estava em andamento.A detenção ocorreu durante uma entrevista no serviço de imigração americano, etapa prevista no processo de ajuste de status. Ainda assim, após a conversa com os agentes, Silveira foi preso pelo ICE e levado para um centro de detenção na Califórnia, onde permaneceu por mais de dois meses.No fim de janeiro, sem aviso prévio à família ou à defesa, ele foi transferido para o Centro Correcional de Richwood, na Louisiana, a mais de 3.000 quilômetros de distância da Califórnia. A mudança dificultou o contato com advogados e parentes e ampliou a incerteza sobre sua situação jurídica. O estado é conhecido por concentrar unidades usadas em operações de deportação em larga escala.Em contato recente com a esposa, Silveira relatou que a unidade onde está detido apresenta problemas de higiene, infraestrutura precária e restrições de comunicação, além de dificuldades para acessar assistência jurídica adequada.O Ministério das Relações Exteriores informou que o Consulado-Geral do Brasil em Los Angeles e o Consulado Honorário em San Diego acompanham o caso e prestam assistência ao brasileiro e à família.Não há previsão pública até o momento para uma eventual repatriação. O ICE não se manifestou sobre as alegações específicas feitas pelo brasileiro.Casos como o de Silveira vêm sendo citados por especialistas e organizações de direitos humanos como exemplos de uma prática recorrente da política migratória americana desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, marcada por detenções durante processos administrativos e pela transferência de imigrantes entre centros distantes.