Nos próximos dias, um dos episódios mais marcantes do imaginário brasileiro completará três décadas: a história do extraterrestre de Varginha. Além de incontáveis reportagens e apurações na área da ufologia (que estuda formas de vida fora do planeta Terra), o caso também foi parar na Justiça Militar, que abriu um inquérito para averiguar se havia ou não um ser de outro mundo vivendo em solo mineiro. Os inquéritos, relembrados pelo Superior Tribunal Militar (STM), concluíram que o caso não passou de uma "interpretação equivocada".Tudo começou no dia 20 de janeiro de 1996, quando três jovens afirmaram ter visto, em um dia de fortes chuvas, um extraterrestre na cidade de Varginha, ao sul de Minas Gerais. Eles disseram, na época, que era um indivíduo que andava agachado e tinha uma cabeça maior que o habitual para humanos, além de braços e pernas longos. O relato ganhou tanta repercussão que virou tema de reportagem no Fantástico e não demorou para que outras pessoas surgissem afirmando ter visto o mesmo ser extraterrestre. A história rodou o mundo e atraiu pesquisadores de vários países.A investigação aberta pela Justiça Militar coletou indícios de que a pessoa que foi apontada como "de outro mundo" era, na verdade, uma pessoa em situação de rua, portadora de transtornos mentais. O homem era popularmente conhecido como "Mudinho", mas seu nome de registro é Luis Antônio de Paula. No dia em que foi visto pelos três rapazes, ele teria se aproximado de um muro para se proteger da chuva.No dia 4 de julho de 1997, a juíza-auditora substituta do STM Telma Queiroz mandou o inquérito ser arquivado. "A estória é tão inverossímil que serviu de tema para o programa 'Casseta e Planeta' (esquete humorística dos anos 1990). Em nenhum momento, diante da ingenuidade do tema da citada publicação, ficara comprovado qualquer indício de crime, quer na esfera militar ou na civil, na conduta dos autores da obra intitulada 'Incidente em Varginha'", disse em trecho da decisão.Na época, se especulava que integrantes do Exército teriam capturado os extraterrestres vistos em Varginha e os levado para Campinas, onde seriam analisados. Um oficial da inteligência, Marco Eli Chereze, morreu de infecção generalizada na época e as especulações apontaram que a doença teria sido provocada pelo contato com o ET. Nenhuma dessas suspeitas foi oficialmente comprovada. "Não ficara comprovada nenhuma ofensa direta à dignidade dos militares, uma vez que as afirmativas envolvendo Exército Brasileiro, além de inverídicas, não tiveram o condão de abalar o conceito sólido da instituição militar", diz outro trecho do documento que arquivou a investigação.O STM disponibilizou a íntegra do inquérito que investigou a existência do ET de Varginha. Ele pode ser consultado neste link.