Reino Unido desafia o ceticismo climático global com uma meta ousada de redução de CO2
Atitudes de Donald Trump na presidência dos EUA alimentam crescente preocupação com a ação climática

O Reino Unido apresentou um plano às Nações Unidas para reduzir suas emissões de CO₂ em pelo menos 81% até 2035, em um momento em que seu status como líder climático global está sob crescente escrutínio.
O governo oficializou a meta anunciada pelo primeiro-ministro Keir Starmer durante a COP29, em novembro, destacando suas credenciais ambientais.
O país foi o primeiro do G7 a eliminar o uso de carvão, planeja banir a venda de novos carros movidos exclusivamente a combustão até 2030 e adotou uma política de não emitir novas licenças para exploração de petróleo e gás.
Com essa Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), o Reino Unido se posiciona como uma das poucas grandes economias que estão ampliando suas ambições climáticas, apesar do cenário de inflação e das preocupações com os custos da transição energética.
Simon Stiell, secretário executivo de mudanças climáticas da ONU, elogiou a iniciativa.
“O novo e ousado plano climático do Reino Unido significa que ele está ainda melhor posicionado para lucrar com o boom da ação climática. Outros países, no G20 e ao redor do mundo, devem seguir o exemplo.”
No entanto, a credibilidade ambiental do governo trabalhista tem sido questionada. Ele enfrenta críticas por apoiar a expansão do aeroporto de Heathrow com a construção de uma terceira pista e por lidar com desafios judiciais relacionados à exploração de combustíveis fósseis no Mar do Norte.
A preocupação global com a ação climática continua a crescer.
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump já anunciou que vai retirar o país do Acordo de Paris, que compromete os signatários a limitar o aquecimento global a menos de 2°C, idealmente 1,5°C. Na Europa, partidos políticos céticos em relação ao clima desafiam a agenda ambiental da União Europeia.
“O Reino Unido demonstrou que está de volta à liderança climática”, afirma o plano publicado na quinta-feira. “Não há estabilidade global sem estabilidade climática.”
Todos os países devem apresentar suas NDCs atualizadas até fevereiro, mas muitos, incluindo a União Europeia, devem atrasar o envio. O prazo final é a COP30, que será realizada em novembro, em Belém.
Embora a administração de Joe Biden tenha submetido a NDC dos EUA no ano passado, várias de suas políticas climáticas já estão sendo revertidas sob a liderança de Trump.
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