Melissa mostra como o aquecimento global está tornando furacões mais violentos e imprevisíveis
Oceano Atlântico 2 °C a 3 °C acima da média alimenta intensificação recorde; autoridades ordenam evacuações em massa e temem inundações catastróficas
O furacão Melissa atingiu nesta segunda-feira (27) a categoria 5, o nível máximo da escala Saffir-Simpson, e avança lentamente em direção à Jamaica, com potencial de causar devastação histórica.
Segundo o Centro Nacional de Furacões (NHC) dos Estados Unidos, os ventos sustentados chegaram a 260 km/h, com rajadas ainda mais intensas.
O fenômeno meteorológico passou de uma tempestade tropical para um furacão de categoria 4 em menos de 24 horas e, logo depois, alcançou o nível 5, numa das mais rápidas intensificações já registradas no Atlântico Norte.
O deslocamento é extremamente lento — cerca de 5 km/h — o que aumenta o risco de chuvas prolongadas, deslizamentos de terra e enchentes em larga escala.
Autoridades jamaicanas ordenaram evacuações em massa nas áreas mais vulneráveis, incluindo regiões da capital Kingston e da histórica Port Royal. Mais de 800 abrigos públicos foram abertos.
A tempestade já deixou ao menos seis mortos em sua passagem pelo Haiti e pela República Dominicana, segundo agências internacionais.
“Esta será uma tempestade de proporções catastróficas”, afirmou o primeiro-ministro jamaicano Andrew Holness, pedindo que a população “leve a sério” os alertas.
Um furacão alimentado por águas quentes
Meteorologistas apontam que a força incomum da Melissa está ligada ao aquecimento excepcional do Atlântico tropical, que apresenta temperaturas entre 2 °C e 3 °C acima da média.
Essa parte do Atlântico está extremamente quente, cerca de 30 °C, e não é apenas a superfície. As camadas mais profundas também estão aquecidas, criando um reservatório de energia para a tempestade.
O fenômeno se soma a uma tendência preocupante: quatro furacões do Atlântico em 2025 já passaram por intensificação rápida, quando a velocidade dos ventos aumenta em mais de 55 km/h em apenas um dia.
Essa mudança vem sendo diretamente associada à crise climática provocada pela queima de combustíveis fósseis e pelo acúmulo de gases de efeito estufa.
Segundo a organização Climate Central, o calor extra no Atlântico tornou-se “cerca de 700 vezes mais provável” devido às atividades humanas. “As mudanças climáticas estão transformando nossos padrões meteorológicos”, afirmou Bernadette Woods Placky, meteorologista-chefe da entidade.
“Nem toda tempestade tropical vai se intensificar rapidamente, mas em um mundo mais quente, a probabilidade de isso ocorrer aumenta a cada temporada.”
Efeitos devastadores nas ilhas caribenhas
Modelos de previsão indicam que a Jamaica poderá receber até 1 metro de chuva em algumas regiões, com marés de tempestade elevando o nível do mar em até três metros.
A expectativa é de deslizamentos generalizados, interrupções de energia e danos severos à infraestrutura costeira.
A Cuba já iniciou a evacuação de cerca de 500 mil pessoas em províncias do leste, como Santiago de Cuba e Guantánamo, que devem ser atingidas na quarta-feira. Em seguida, o sistema deve se deslocar em direção às Bahamas, ainda com força significativa.
“Essas tempestades estão literalmente arrancando pedaços da infraestrutura costeira das ilhas”, diz Placky. “Com os mares subindo e o calor se acumulando nos oceanos, cada furacão se torna potencialmente mais destrutivo.”
A temporada de furacões do Atlântico de 2025, segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), deve registrar entre 13 e 18 tempestades nomeadas, das quais até cinco podem alcançar categoria 3 ou superior.
Depois de um início morno, a previsão vem se confirmando e a Melissa, agora, é o símbolo mais alarmante desse novo padrão climático.
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