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Aquecimento do Ártico em ritmo recorde tinge rios de laranja no Alasca

Relatório anual de cientistas aponta recordes de calor e chuva, degelo acelerado do permafrost e contaminação de mais de 200 rios

Por Ernesto Neves 17 dez 2025, 10h44 • Atualizado em 17 dez 2025, 11h24
  • O aquecimento acelerado do Ártico está transformando rios do norte do Alasca em cursos d’água avermelhados e tóxicos, com potencial impacto sobre ecossistemas frágeis e sobre a indústria do salmão. Um relatório divulgado nesta semana por cientistas federais dos Estados Unidos mostra que temperaturas recordes e o aumento das chuvas intensificaram o degelo do permafrost, liberando metais pesados para mais de 200 rios da região.

    O documento, conhecido como Arctic Report Card, é coordenado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) e reúne análises de dezenas de pesquisadores de universidades e agências científicas da América do Norte e da Europa. O levantamento avalia as condições ambientais do Ártico entre outubro de 2024 e setembro de 2025, período em que as temperaturas do ar atingiram o nível mais alto desde o início das medições, há 125 anos.

    Segundo o relatório, o Ártico aquece quase três vezes mais rápido do que a média global desde 1980. No último ano, além do calor recorde, a região também registrou o maior volume de precipitação já observado, combinando neve e chuva. Esse duplo recorde acelerou o derretimento do permafrost, a camada de solo permanentemente congelada que cobre grande parte do território ártico.

    Com o degelo, minerais naturalmente presentes no solo passaram a entrar em contato com água e oxigênio. Em especial, depósitos de pirita  sofrem oxidação, processo químico que produz um escoamento ácido e rico em metais. O resultado visível é a coloração alaranjada dos rios, fenômeno descrito por pesquisadores como “rios enferrujados”.

    A mudança foi observada pela primeira vez em 2019 e, desde então, já foi identificada em mais de 200 bacias hidrográficas ao norte da cordilheira Brooks, no Alasca, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). A área monitorada, conhecida como North Slope, se estende por cerca de 95 mil km² entre a fronteira com o Canadá e o oceano Ártico.

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    Em expedições de campo, os pesquisadores identificaram nascentes e encostas ricas em pirita, de onde brota água contaminada. Análises também detectaram concentrações elevadas de alumínio, cobre e zinco, em níveis tóxicos para a vida aquática.

    Os efeitos ecológicos já são visíveis. A água ácida tem eliminado insetos e outros organismos que servem de base alimentar para peixes, incluindo o salmão, essencial para a subsistência de cerca de 10 mil moradores da região.

    Em 2024, durante uma pesquisa no Parque Nacional do Vale de Kobuk, cientistas registraram a rápida mudança da cor do rio Akillik, que passou de transparente a laranja em pleno verão, com mortalidade total de peixes e organismos aquáticos.

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    Até o momento, não há evidências de que os peixes tenham acumulado metais tóxicos em seus tecidos, mas o monitoramento continua. O temor dos especialistas é que o fenômeno se espalhe para bacias maiores, como a do rio Yukon, um dos mais importantes do estado.

    Caso isso ocorra, os impactos podem alcançar a economia. A indústria do salmão no Alasca movimenta cerca de US$ 541 milhões por ano. O salmão é extremamente sensível à química da água. Mesmo níveis baixos de toxicidade podem afetar a reprodução e desorientar os peixes na migração para desova.

    O relatório também chama atenção para o contexto político em que foi produzido. Apesar de propostas do governo Trump para reduzir drasticamente o braço de pesquisa da NOAA, o documento foi concluído com a colaboração de cientistas da própria agência, da Nasa e de instituições acadêmicas.

    Para os pesquisadores, o avanço dos “rios enferrujados” é mais um sinal de que as mudanças climáticas no Ártico já deixaram de ser um alerta distante e passaram a produzir efeitos concretos, rápidos e potencialmente irreversíveis.

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