Papuda, PF ou domiciliar: por que o local da prisão de Bolsonaro vai ser decisivo para a direita
Cientista político explica como o fator pode afetar o peso do ex-presidente na articulação política
Durante o programa Ponto de Vista desta segunda, 17, o cientista político Rafael Cortez analisou por que a possibilidade de Jair Bolsonaro cumprir pena no presídio da Papuda, no Distrito Federal, produz tanta inquietação entre aliados. Para ele, o ponto central não é jurídico — é político.
“É muito difícil separar o que são considerações sobre as condições do presídio e o que é posicionamento político. A discussão é simbólica”, afirmou.
A diferença entre estar em um presídio comum ou em regime domiciliar, diz Cortez, vai muito além do aspecto físico: determina como o país interpretará a imagem do ex-presidente após a condenação definitiva pelo STF.
Como o regime de prisão afeta a influência de Bolsonaro?
Segundo o analista, a questão essencial é o grau de acesso ao mundo externo. Em regime domiciliar, a circulação de informações fluiria mais facilmente. A capacidade de Bolsonaro influenciar a direita, orientar candidaturas e interferir na formação de alianças seria maior.
Na Papuda, a situação muda completamente. “Politicamente é muito diferente o contato que essa figura vai ter com o mundo externo”, explicou. A limitação de visitas — todas dependentes de autorização judicial — reduziria drasticamente sua atuação nos bastidores.
E esse detalhe, aparentemente burocrático, pode definir o ritmo de reorganização da direita para 2026.
Por que isso é decisivo para a sucessão?
Cortez lembra que a direita já vive um vácuo de liderança: Bolsonaro está inelegível e seus potenciais herdeiros — como Tarcísio de Freitas, Michelle e Flávio Bolsonaro — dependem diretamente do aval do ex-presidente.
Se Bolsonaro estiver incomunicável ou com influência reduzida, esse processo pode travar. “É isso que vai determinar e condicionar a velocidade com que a direita vai se organizar”, afirmou.
A reação dos aliados
Justamente por isso, aliados trabalham para manter Bolsonaro o mais próximo possível da política, mesmo condenado. Seja por meio de recursos, pressões públicas ou tentativas de moldar a narrativa sobre sua prisão, o objetivo é garantir que ele siga atuando como referência para o bolsonarismo.
No fim das contas, a disputa não é sobre celas, condições físicas ou aspectos administrativos. É sobre o tamanho da voz de Jair Bolsonaro daqui para frente — e o quanto de sua influência sobreviverá após a decisão do Supremo.
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