EUA abrem negociação na ONU sobre força internacional e novo governo de Gaza
Governo Trump diz ter apoio de quase todos os países da região para proposta de resolução que colocaria 20 mil soldados estrangeiros no enclave
O Conselho de Segurança das Nações Unidas iniciará nesta quinta-feira, 6, as negociações sobre as etapas mais espinhosas do roteiro para a paz na Faixa de Gaza, idealizado pelo governo de Donald Trump nos Estados Unidos. Entre elas estão a criação de um governo de transição composto por tecnocratas palestinos e de uma força militar internacional para estabilizar e proteger o enclave.
Washington distribuiu a minuta da resolução aos 15 membros do conselho na noite de quarta-feira 5 e já afirmou ter apoio regional do Egito, Catar, Arábia Saudita, Turquia e Emirados Árabes Unidos para o texto.
“A mensagem é: se a região está conosco, acreditamos que o conselho inteiro também deveria estar”, afirmou um funcionário do governo americano à Reuters, acrescentando que sua delegação busca agir com velocidade — “estamos falando de semanas, não meses”.
É preciso no mínimo nove votos para que resoluções sejam aprovadas no órgão, e nenhum veto dos membros permanentes (Rússia, China, França, Reino Unido e Estados Unidos). A mesma autoridade americana afirmou que não espera obstrução por parte de Pequim e Moscou, e que este “é o plano de paz mais promissor em uma geração”.
Força internacional
O projeto de resolução, visto pela Reuters, autorizaria a formação de um “Conselho de Paz” encabeçado por Trump, como esperado, ao qual se somariam nomes como o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair. Esse grupo selecionaria uma junta de técnicos palestinos para tocar o dia a dia no enclave por dois anos, e autorizaria o estabelecimento temporário de uma Força Internacional de Estabilização (ISF, na sigla em inglês), que poderia “usar todas as medidas necessárias” — termo que se refere a vias militares — para cumprir sua função.
A ISF reuniria 20 mil soldados autorizados a proteger civis e operações de ajuda humanitária, trabalhar para garantir a segurança das áreas de fronteira com Israel e treinar uma nova “força policial palestina aprovada”. Ela também garantirá “o processo de desmilitarização da Faixa de Gaza, incluindo a destruição e a prevenção da reconstrução da infraestrutura militar, terrorista e ofensiva, bem como o desarmamento permanente de grupos armados não estatais”, segundo a minuta.
Trump descartou o envio de soldados americanos para compor a ISF, mas seu governo negocia a participação de países como Indonésia, Emirados Árabes Unidos, Egito, Catar, Azerbaijão e Turquia — embora Israel tenha rejeitado no mês passado a participação dos turcos, veementes críticos das ações israelenses em Gaza.
O projeto de resolução concederia à ISF autoridade para desarmar o Hamas, mas, segundo oficiais ouvidos pela Reuters, os Estados Unidos ainda esperam que o grupo palestino “cumpra sua parte no acordo” e entregue suas armas por decisão própria. Os combatentes não indicaram estar dispostos a cumprir a exigência, por ora.
Israel e Hamas concordaram, há um mês, com a primeira fase do plano de 20 pontos para a paz em Gaza apresentado por Trump, produzindo um cessar-fogo frágil que encerrou dois anos de guerra no enclave e incluiu um acordo para a libertação de reféns. O roteiro do presidente americano está anexado à proposta de resolução do Conselho de Segurança da ONU.
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