Veja Mercado

Avatar do usuário logado
Usuário
OLÁ, Usuário
Ícone de fechar alerta de notificações
Avatar do usuário logado
Usuário

Usuário

email@usuario.com.br
ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Trump quer um dólar mais fraco?

Moeda americana cai, estratégia do republicano ganha peso e Brasil sente os efeitos, veja a íntegra da entrevista no programa Mercado

Por Veruska Costa Donato 28 jan 2026, 12h54 • Atualizado em 28 jan 2026, 13h22
  • O dólar, que sempre foi sinônimo de segurança, agora anda tropeçando — e isso diz muito sobre o momento da economia global. A desvalorização da moeda americana reflete um ambiente de incerteza criado não só por dados econômicos, mas principalmente pela forma como os Estados Unidos têm conduzido sua política econômica e comercial. O mercado já entendeu que não se trata apenas de ruído passageiro: há método, estratégia e risco nesse movimento.

    Na avaliação de Renan Pieri, professor de economia da FGV, o estilo errático de Donald Trump — feito de ameaças, recuos e ataques a instituições como o Federal Reserve — mina a previsibilidade que sempre sustentou o dólar como moeda de reserva global. Mais do que isso, Renan chama atenção para uma estratégia pouco convencional: a de Trump: permitir, ou até incentivar, a desvalorização do dólar como forma de tornar as exportações americanas mais competitivas. Funciona no comércio exterior, mas cobra seu preço ao afastar investidores e elevar a volatilidade.

    ‘O dólar está indo bem’, diz Trump

    A liquidação do dólar é a mais intensa desde o ‘dia da libertação’ de Trump em abril do ano passado quando foi criada a tarifa adicional a todos os países. Além disso, a economia americana sofre com ataques de Trump ao Federal Reserve, dúvidas sobre os juros e até sinais de intervenção no iene japonês. Questionado sobre a fraqueza da moeda, Trump minimizou: “o dólar está indo muito bem”. O mercado, porém, parece discordar — e segue com os nervos à flor da pele.

    O Brasil e o dólar

    Para o Brasil, o impacto é imediato. A fuga de recursos dos Estados Unidos favorece mercados emergentes, fortalece o real e empurra a bolsa para recordes, num movimento clássico de busca por alternativas ao dólar. Mas Renan alerta que esse alívio cambial não deve ser confundido com ganho estrutural. Um dólar mais fraco ajuda no curto prazo, mas também pode trazer distorções, afetar preços internos e deixar o país mais exposto a uma eventual reversão do humor global.

    Continua após a publicidade

    O dólar não é intocável

    No fundo, o que está em jogo é uma mudança mais profunda no tabuleiro internacional. O dólar continua sendo central, mas já não é intocável. A política externa agressiva, o uso do câmbio como ferramenta comercial e o aumento das tensões geopolíticas mostram que a instabilidade virou parte do jogo. Para países como o Brasil, o recado é claro: aproveitar o momento, sim — mas com estratégia, cautela e sem ilusões sobre a solidez desse novo equilíbrio global.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login