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São Caetano do Sul, líder em qualidade de vida, é oásis no meio do caos

Com o melhor IDH do país e ar de cidade do interior, a cidade do ABC paulista traz lições sobre investimento em educação, saúde e transporte

Por Giuliana Bergamo
28 nov 2025, 06h00 •
  • Uma cidade do interior em plena Grande São Paulo — é assim que São Caetano do Sul costuma ser descrita. “Aqui todo mundo se conhece. Tem silêncio, sensação de segurança e dá para acessar serviços e comércio com muita agilidade”, diz a moradora Júlia Strazdas, 64 anos. Engenheira civil, ela se mudou para o município nos anos 1990 para matricular os filhos pequenos em uma escola melhor. A transição, porém, não foi simples: a família levou dois anos para encontrar o imóvel ideal: “Os moradores daqui são muito bairristas e não querem sair de onde estão. Por isso, demoramos para comprar um apartamento”. Desde então, Júlia nunca mais mudou de endereço. A trabalho, circula por vários bairros de São Paulo e garante que em nenhum lugar se sente tão bem quanto em casa.

    Não é para menos. O município, que ocupa o topo da categoria Indicadores Sociais do ranking da Austin Rating, aparece com destaque em diversos levantamentos sobre qualidade de vida. Desde 1990, por exemplo, São Caetano ostenta o maior índice de desenvolvimento humano (IDH) entre as cidades brasileiras. Não à toa, a impressão de quem vive lá é a de estar diante de um oásis. O município, afinal, está cravado em uma região caótica: fica entre o bairro do Ipiranga, na capital paulista, e o movimentado município de São Bernardo do Campo. De outro lado está Santo André e, perto, Diadema. Todos maiores e muito mais populosos.

    A transformação que colocou São Caetano em uma realidade distinta da observada nos municípios vizinhos começou em meados do século XX, tendo como marco a chegada da montadora de carros General Motors à cidade. Instalada na área central, a empresa impulsionou a modernização da infraestrutura, elevou a renda local e consolidou a vocação industrial da região — um perfil que, nas últimas décadas, vem se ampliando. “Com raízes industriais e vocação empreendedora, São Caetano do Sul se reinventou como um dos ambientes de negócios mais fortes e diversificados do país”, afirma Sérgio Tannuri, presidente da Associação Comercial e Industrial do município. Hoje, a economia da cidade é puxada pelo setor de serviços, que responde por 60% da atividade local, seguido por indústria e comércio. O ambiente empresarial é robusto: são 36 000 empresas ativas, e o número segue em expansão — mais de 3 200 novos negócios foram abertos em um ano. O mercado formal emprega 118 000 pessoas (numa população de 166 000), impulsionado sobretudo por serviços, varejo, tecnologia e atividades administrativas.

    Estudantes em evento de ciências: segundo a prefeitura, sobram vagas em creches e nas escolas, o que é raro no país
    Estudantes em evento de ciências: segundo a prefeitura, sobram vagas em creches e nas escolas, o que é raro no país (Prefeitura de São Caetano do Sul/.)
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    O que sustenta o desempenho de São Caetano é a combinação de bons indicadores, estabilidade administrativa e políticas públicas contínuas, especialmente na área da educação. “Nossa grande conquista é não ter demanda reprimida. Aqui não há falta, mas sobra de vagas em creches e escolas”, afirma o secretário de Educação, Fabiano Augusto João. Para 2025, há oferta adicional de matrícula para até 500 alunos no ensino fundamental e 700 na educação infantil. O resultado vem de investimentos consistentes: cerca de um terço de todo o orçamento municipal é destinado à educação. Metade das escolas opera em período integral, das 7h30 às 16h30, e o programa Aprender Mais permite que os pais ampliem o tempo de permanência dos filhos com atividades extracurriculares. Outro destaque é o programa Mães Acolhedoras, criado para apoiar mulheres de baixa renda que enfrentam dificuldade de conciliar o cuidado com os filhos e o trabalho remunerado. As interessadas podem concorrer a uma das 250 vagas para atuar seis horas por dia nas escolas de ensino infantil e fundamental, auxiliando em tarefas como a supervisão dos alunos no recreio. Pelo trabalho, recebem um salário mínimo.

    A saúde é outro motivo de orgulho para a gestão pública. “Acompanhamos os cidadãos desde a gestação até o envelhecimento”, afirma o secretário de Governo, Caio Lessio Previato. Os indicadores ajudam a explicar essa percepção: São Caetano registra uma das menores taxas de mortalidade infantil do país — 4,46 a cada 1 000 nascidos vivos — e uma expectativa de vida acima da média nacional, 78 anos, ante 74. A rede municipal oferece programas de atendimento para todas as faixas etárias. “Aqui todo mundo elogia a saúde pública, principalmente os idosos. Há postos dedicados a esse público em praticamente todos os bairros”, diz o corretor de seguros Elisio Peixoto, presidente da Associação Amigos de São Caetano do Sul.

    Programa Tarifa Zero: lançado pela prefeitura de São Caetano há dois anos, viagens de ônibus gratuitas para todos os usuários
    Programa Tarifa Zero: lançado pela prefeitura de São Caetano há dois anos, viagens de ônibus gratuitas para todos os usuários (Paulo Pinto/Agência Brasil)
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    A infraestrutura urbana também se destaca pela cobertura quase universal de serviços básicos: 99,8% dos domicílios têm coleta de lixo, 99,7% contam com iluminação pública e 99,4% dispõem de calçadas. No transporte, a cidade implantou há dois anos o programa Tarifa Zero, que garante gratuidade a todos os usuários. A iniciativa, porém, não resolveu o trânsito. Afetada pelo fluxo intenso de veículos que circulam entre os municípios vizinhos da Grande São Paulo, São Caetano vê sua tranquilidade ruir nos horários de pico, quando boa parte das vias trava e os ônibus rodam lotados. Mesmo assim, para quem vive ali, o saldo permanece incontestável: em meio ao caos metropolitano, São Caetano do Sul continua sendo um raro ponto de respiro.

    Publicado em VEJA, novembro de 2025, edição VEJA Negócios nº 20

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