ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Política monetária no Brasil está perdendo a eficácia, diz Citi

País ainda não vive dominância fiscal, mas trabalho do Banco Central para conter inflação está mais difícil

Por Juliana Machado Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 10 dez 2024, 15h19

A política monetária no Brasil está perdendo a eficácia, embora não o país não esteja propriamente vivendo um cenário de dominância fiscal — quando a política monetária é prejudicada pela desordem das contas públicas e da política fiscal. A visão foi compartilhada por Leonardo Porto, economista-chefe do Citi Brasil, em evento realizado em São Paulo.

“Não estamos em dominância fiscal, o que não significa que a política monetária não está perdendo eficácia. Está perdendo”, disse. “Dominância fiscal para nós é o momento em que a política monetária perde a capacidade de afetar a inflação conforme a gente espera.”

Segundo Porto, o Banco Central ainda não perdeu totalmente a capacidade de atuar de forma incisiva contra a inflação, o que é possível se constatar por dados como o Boletim Focus, que mostram que, conforme as expectativas para a taxa Selic sobem a cada ano, as projeções para a inflação também avançam. No entanto, prossegue ele, o mercado de juros futuros está extremamente sensível à política fiscal, gerando pressão sobre a capacidade de resposta do BC.

“O BC tem que continuar fazendo o trabalho dele, apesar da natureza do problema ser mais do lado fiscal. O BC não pode renunciar a esse trabalho porque o problema viraria então a desancoragem das expectativas”, afirmou. “Foi o que viveu a Argentina há alguns anos e Brasil até 1994. O BC tem que continuar subindo a taxas de juros, senão o problema fica pior.”

O trabalho do BC de seguir elevando a taxa Selic é uma resposta à dinâmica da inflação, que segue negativa. Segundo o economista do Citi, a inflação corrente “não está no intervalo tolerável” do BC e não deve ceder ou dar alívio, sobretudo com a dinâmica do setor de serviços. Diante disso, a visão do Citi é de que o BC opte por subir de 0,75 ponto percentual a 1 pp a taxa Selic na reunião de amanhã, níveis que são compatíveis com o atual momento e com o movimento da inflação. O mesmo não se pode dizer de uma alta de 0,50 pp, que não é compatível com o cenário. “O BC opera olhando para frente, em que continuaremos vendo pressão inflacionária.”

Continua após a publicidade

Na frente fiscal, o economista acredita que o ruído gerado pela divulgação do pacote do governo será reduzido em 2025, o que pode levar a um câmbio acomodado mais perto dos R$ 5,70 no fim do ano que vem. Esse cenário, porém, embute uma “incerteza gigante”, com um cenário de piora do ambiente a ponto de levar o dólar a ficar em R$ 6,05 — trazendo um impulso ainda maior para a inflação.

“Credibilidade não é algo binário, não é algo que se ganha apenas com o pacote fiscal”, disse Porto. “Você está sempre ganhando e sempre perdendo. Estamos esperando mais transparência.”

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
Apenas R$ 5,99/mês*
ECONOMIZE ATÉ 59% OFF

Revista em Casa + Digital Completo

Nesta semana do Consumidor, aproveite a promoção que preparamos pra você.
Receba a revista em casa a partir de 10,99.
a partir de 10,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
Pagamento único anual de R$35,88, equivalente a R$ 2,99/mês.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.