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Onde o Brasil funciona: os municípios que prosperam no Brasil

Levantamento exclusivo da Austin Rating para VEJA NEGÓCIOS aponta onde políticas públicas eficientes realmente fazem a diferença

Por Ernesto Neves 28 nov 2025, 06h00

O que torna uma cidade verdadeiramente boa para seus habitantes? A resposta vai muito além de indicadores isolados de riqueza ou infraestrutura. Uma metrópole pode ter arrecadação robusta, mas desperdiçar recursos em custeio excessivo. Outra pode crescer economicamente, mas falhar na distribuição dos benefícios. As melhores cidades brasileiras são aquelas que conseguem transformar gestão fiscal eficiente em dinamismo econômico e, por consequência, em inclusão social — um ciclo virtuoso que começa nas contas públicas e termina na qualidade de vida de quem mora ali.

É justamente essa cadeia de resultados que VEJA NEGÓCIOS apresenta nesta edição, em parceria com a agência de classificação de riscos Austin Rating. O ranking As Melhores Cidades do Brasil avaliou os 5 570 municípios brasileiros por meio do Índice de Inclusão Social e Digital (IISD), fruto da análise de 253 indicadores distribuídos em quatro pilares: Fiscal, Econômico, Social e Digital. “A ideia é entender quem tem feito a melhor gestão e como isso se reverte em benefícios para os munícipes”, diz Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating. A metodologia não se limita a fotografar o presente — analisa também a evolução dos indicadores ao longo de uma década, capturando a consistência das políticas públicas. Essa abordagem permite reconhecer tanto os municípios que já alcançaram níveis elevados de desenvolvimento quanto aqueles que demonstram maior capacidade de evolução.

Indaiatuba, no interior de São Paulo: cidades médias oferecem melhor qualidade de vida
Indaiatuba, no interior de São Paulo: cidades médias oferecem melhor qualidade de vida (Pedro Truffi/iStock/Getty Images)

O levantamento revela surpresas. Vitória, no Espírito Santo, conquistou o 1º lugar geral não por liderar categorias específicas, mas pela regularidade em todos os indicadores — como um piloto que vence o campeonato mantendo-se sempre entre os primeiros, mesmo sem ganhar tantas corridas. São Paulo, por sua vez, ficou em 1º lugar em Indicadores Econômicos, destacando-se especialmente em empregos e negócios, resultado que confirma sua posição de principal destino para fazer negócios no país.

Canaã dos Carajás, no Pará, que liderou os Indicadores Fiscais, ilustra outro aspecto crucial: a diferença entre arrecadar muito e gerir bem. A cidade, que abriga operações da mineradora Vale, demonstra como a boa administração de recursos abundantes pode gerar resultados superiores. “Uma cidade pode arrecadar muito, mas fazer uma péssima gestão”, observa Agostini. “O levantamento da Austin mostra quem consegue alocar bem os recursos para gerar multiplicadores positivos no emprego e na economia como um todo.”

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Outro padrão interessante emerge do ranking: apenas três capitais aparecem entre as dez melhores cidades, com destaque para municípios de médio porte como Indaiatuba, Jundiaí e Maringá. “Cidades médias como essas muitas vezes conseguem oferecer melhor qualidade de vida porque combinam boa infraestrutura, gestão eficiente e uma escala que permite mais proximidade entre os serviços e os moradores”, diz Mauricio Bouskela, coordenador do Núcleo de Economia Urbana, Cidades Inteligentes e Big Data do Centro de Estudos das Cidades — Laboratório Arq.Futuro do Insper.

Curitiba (PR): o segundo melhor município do Brasil no ranking geral da Austin
Curitiba (PR): o segundo melhor município do Brasil no ranking geral da Austin (JosÉ Fernando Ogura/moment/Getty Images)

Jundiaí, por exemplo, se beneficia de sua posição estratégica entre São Paulo, Campinas e São José dos Campos, com forte vocação industrial. Indaiatuba aproveita a proximidade com o Aeroporto de Viracopos para atrair indústrias e atividades logísticas. Maringá se destaca pela qualidade da educação e dos serviços públicos. “Uma boa cidade é, essencialmente, uma cidade que melhora a vida das pessoas”, define Bouskela. “Isso inclui boa mobilidade, segurança e acessibilidade — desde calçadas adequadas até o acesso a equipamentos públicos como escolas, postos de saúde e transporte.”

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Um retrato complementar dessa realidade é oferecido pelo Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal, elaborado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). O estudo mostra um Brasil ainda profundamente desigual. Apenas 4,6% dos municípios brasileiros alcançaram alto desenvolvimento, enquanto 42,8% permanecem em níveis baixos. Os pequenos municípios, embora representem 68% do total, têm mais dificuldade para atingir patamares elevados. A distância entre os extremos é expressiva — os municípios com menor desenvolvimento estão, em média, 23 anos atrás dos mais avançados.

Para Jonathas Goulart, economista-chefe da Firjan, essa desigualdade reflete a existência de dois Brasis: um, mais dinâmico e industrializado, no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste; e o outro, ainda limitado por carências estruturais, no Norte e no Nordeste. Ele aponta que a vertente de emprego e renda é a que mais evidencia essa disparidade — e a que menos evoluiu na última década. “O crescimento econômico sustentado é essencial para reduzir desigualdades regionais. Precisamos de estabilidade macroeconômica e de políticas voltadas para o desenvolvimento de longo prazo — tecnologia, inovação e, sobretudo, educação”, afirma. Segundo Goulart, rever a lógica do federalismo fiscal também é necessário: “Boa parte dos municípios depende quase integralmente das transferências do Fundo de Participação dos Municípios, sem contrapartidas de gestão. É um modelo que precisa ser revisto se quisermos que as cidades assumam um papel mais ativo no desenvolvimento do país”. Em uma nação de contrastes, o desafio das cidades brasileiras é transformar boas gestões em políticas públicas — e replicar soluções eficazes de forma equilibrada, nos dois Brasis que ainda coexistem.

Publicado em VEJA, novembro de 2025, edição VEJA Negócios nº 20

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