No último pregão do ano, Ibovespa e real ensaiam recuperação
No acumulado do ano, porém, Ibovespa acumula perda de 9,16%, enquanto o dólar avança 27,5%

A última sessão na bolsa de valores e no mercado de câmbio e juros é marcada por um tímido movimento de recuperação dos ativos locais — mas com perdas fortes ao longo do ano. Perto das 10h49, o Ibovespa tinha leve alta de 0,47%, aos 120.839 pontos, enquanto o dólar operava em baixa de 0,58%, a 6,16 reais.
No entanto, se, no dia, o Ibovespa e o real ensaiam um movimento positivo, o mesmo não se pode dizer do acumulado do ano, que mostram o tamanho da fuga do risco pelos investidores ao longo de 2024. De janeiro até hoje, o Ibovespa acumula perda de 9,16%, enquanto o dólar avança 27,5%.
No pano de fundo, os investidores acompanham os desdobramentos do difícil e tumultuado ajuste fiscal anunciado pelo governo e que determinou fortemente a direção dos ativos locais no decorrer do ano, com idas e vindas que cobraram um preço alto dos principais ativos brasileiros. Há cerca de duas semanas, o Congresso analisou o pacote de de corte de gastos entregue pelo governo, com um impacto de 2,1 bilhões de reais na economia prevista pelo texto, saindo, portanto, de 71,9 bilhões de reais nos próximos dois anos para 69,8 bilhões de reais.
No dia, o mercado observa os dados do déficit primário do setor público, que atingiu 6,6 bilhões de reais em novembro, segundo relatório divulgado pelo Banco Central. O setor público corresponde ao governo central, formado pelo Tesouro Nacional, BC e Previdência Social, além de estados, municípios e estatais. O dado divulgado hoje é 82% menor do que o rombo de 37,3 bilhões deixado em igual mês de 2023.
O mercado também digere as informações do último Boletim Focus de 2024, que mostra uma alta das projeções de câmbio e inflação para 2025. Segundo economistas consultados pelo BC, a projeção de inflação medida pelo IPCA ára 2025 foi revista de 4,84% para 4,96%. Já no caso do câmbio, os economistas preveem que a moeda americana se mantenha acima de 5,80 reais pelo menos até 2027, com a cotação indo a 5,96 reais em 2025 e 5,90 reais em 2026.