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Não é só o diesel: alta do combustível atinge preços dos alimentos e inflação

Petrobras anuncia aumento de 6% no valor do diesel e levanta discussão sobre potenciais efeitos para os preços da economia

Por Leticia Yamakami 31 jan 2025, 14h44

A Petrobras anunciou na tarde desta sexta-feira, 31, um aumento de 6,3% nos preços do diesel tipo A para as distribuidoras a partir de amanhã, 1º de fevereiro,. Mas a decisão não deve ficar restrita apenas ao combustível. Essencial para o transporte de cargas no Brasil, o diesel mais caro pode se refletir também nos preços dos alimentos nas gôndolas dos supermercados — e, potencialmente, na trajetória da inflação.

Ao longo de 2024, a Petrobras não realizou qualquer mudança no valor dos combustíveis, gerando uma defasagem nos preços, principalmente no diesel. De acordo com dados da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom), a defasagem do óleo chegou a 16% em relação ao preço internacional, o equivalente a 0,50 reais por litro. Esse desajuste prejudica a margem de lucro da Petrobras, o que também insatisfaz os acionistas privados.

Desse modo, a decisão da Petrobras ataca uma parte dos problemas — mas deve gerar dor de cabeça quando o assunto é controle da inflação. A decisão é recebida pelo governo Lula em um cenário já tenso, em que a equipe visa controlar os preços dos alimentos, setor que encareceu 7,69% no acumulado do ano anterior e foi a principal causa da alta acima do esperado no IPCA-15 de janeiro, índice que funciona como uma “prévia” da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O setor de transporte foi o segundo que mais impactou o índice, e a subida no preço do diesel pode inflacionar ainda mais os alimentos.

“Qualquer alimento que chega aos supermercados depende de transportes, que, por sua vez, dependem de combustíveis”, explica a economista Fernanda Mansano. A partir disso, o aumento no valor do diesel impacta diretamente não apenas esse segmento, mas também outras áreas da economia que estão relacionadas aos combustíveis. Segundo a especialista, o resultado não será imediato, mas o “efeito dominó” da alta inflacionária deve ser visto em até dois meses.

Apesar do encarecimento, Mansano ressalta que o consumo de alimentos no país é constante, além de dependerem da questão da sazonalidade. “Não é só o diesel que afeta o preço dos alimentos. Quando uma safra é super positiva, por exemplo, ela pode diminuir o valor de um alimento ou impedir que ele suba tanto”, afirma.

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Mesmo com todos esses aspectos, um fator poderoso para a diminuição dos preços do setor alimentício é a taxa de câmbio, segundo especialistas. “Se o dólar cair para 5,70 ou 5,60 reais, terá um efeito poderosíssimo para os alimentos”, afirma o economista Paulo Gala a VEJA.

Ele reforça que produtos como soja, trigo, carnes e café dependem da cotação do câmbio, já que são preços determinados no mercado internacional. “Se a Petrobras subir o diesel e o ICMS, terá algum efeito na inflação de alimentos. Mas, perto do câmbio, isso se dilui”, comenta Gala, que relembra que o que causou o aumento de preços foi a desvalorização do real em mais de 25% em 2024.

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