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Memória: Crescimento sustentável

As despedidas em 2020: negócios

Por Fábio Altman Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 dez 2020, 06h00 • Atualizado em 4 jun 2024, 13h39
  • JACK WELCH, executivo

    Houve um tempo, nos anos 1980 e 1990, em que os executivos eram festejados como estrelas do rock, com salários e bônus milionários. O mais influente foi o americano Jack Welch. Durante duas décadas no comando da General Electric (GE), ele fez o valor de mercado da empresa saltar de 14 bilhões para 410 bilhões de dólares. Welch soube , como nenhum outro, navegar a onda dos juros baixos e do liberalismo econômico liderado pelo presidente Ronald Reagan (1981-1989). Para Welch, a meritocracia era a única ferramenta justa de valorização do trabalho. Ele cunhou frases ainda hoje repetidas à exaustão, didáticas, contundentes, duras de ouvir: “Controle seu destino, ou outra pessoa o fará”; “É melhor agir rápido do que esperar muito”. Morreu em 1º de março, aos 84 anos, em Nova York, de insuficiência renal.

    ALOYSIO DE ANDRADE FARIA, banqueiro

    O gastroenterologista mineiro Aloysio de Andrade Faria, amante de cavalos, obras de arte e de silêncio, ajudou a construir a face moderna do mercado financeiro no Brasil. Em 1948, ele e o irmão mais novo, Gilberto, herdaram do pai o Banco da Lavoura — gênese do Banco Real, fundado em 1971 e vendido em 1998 ao holandês ABN Amro, depois comprado pelo Santander. Em oitenta anos de atividade, Faria criou um grupo que incluía o Banco Alfa, erguido depois da venda do Real, a rede de hotéis Transamérica, a cadeia de loja de materiais de construção C&C, a fabricante de água mineral Águas da Prata e a sorveteria La Basque. Disse o ex-ministro da Fazenda Antônio Delfim Neto: “Tinha a sabedoria que combinava o saber prático com um ideal de justiça”. Morreu em Jaguariúna, em 15 de setembro, de causas naturais. Completaria 100 anos em novembro.

    JOSEPH SAFRA, banqueiro

    Joseph Safra
    (Ana Araújo/VEJA)

    Discreto, distante dos holofotes, o banqueiro libanês Joseph Safra, que em 1962, aos 24 anos, desembarcou no Brasil com a família, fez sempre questão de deixar à sombra sua fortuna — ao morrer, em 10 de dezembro, era o homem mais rico do país, com patrimônio estimado em 120 bilhões de reais. O que o deixava especialmente feliz, sobretudo nos derradeiros anos de vida, era a filantropia. Safra foi um dos principais doadores dos hospitais paulistanos Albert Einstein e o Sírio Libanês, além de apoiar associações beneficentes como a Fundação Dorina Nowill para Cegos, o GRAAC, a Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer, a Associação de Assistência à Criança Deficiente, a APAE e a Casa Hope. Por meio do Instituto J. Safra, adquiriu e doou esculturas de Auguste Rodin, Aristide Maillol e Camille Claude à Pinacoteca de São Paulo. Tinha 82 anos.

    Publicado em VEJA de 30 de dezembro de 2020, edição nº 2719

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