Lula diz que não quer apresentar novas medidas de ajuste fiscal: ‘Não tem’
O presidente indica não ver necessidade de apresentar algo nesse sentido, o que pode ser reavaliado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma afirmação que bate de frente com os desejos do mercado financeiro, nesta quinta-feira, 30. “Não tem outra medida fiscal”, disse em entrevista coletiva a jornalistas no Palácio do Planalto. “Se depender de mim, não tem outra medida fiscal.” Apesar de dizer que a estabilidade fiscal do país é uma questão muito importante, Lula afirmou que o governo só vai discutir novas medidas que vão nesse sentido se houver “a necessidade de fazer alguma coisa”, indicando que o Planalto não considera urgente um aperto nas contas públicas. “Não quero discutir o que meia dúzia de pessoas querem, mas aquilo que interessa à maioria das pessoas.” O petista disse que seu histórico como presidente da República, nos anos 2000, prova que também conduz o país de maneira fiscalmente responsável em seu terceiro mandato.
O presidente ainda mandou um recado para os críticos do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. “As pessoas que passaram o ano inteiro falando do famoso déficit fiscal deveriam pedir desculpas ao Haddad”, disse. Lula não reconheceu a existência de um “rombo fiscal” durante seu governo, afirmando que, não fosse a tragédia climática no Rio Grande do Sul, em 2024, haveria superávit. O petista também aproveitou para criticar a gestão anterior, de Jair Bolsonaro. “Rombo fiscal existiu no governo passado.” O presidente disse que quer fazer “o menor déficit público possível” para que o país “dê certo”. A possibilidade de contrair novas dívidas foi colocada na mesa, desde que sejam para “construir um ativo novo que vai ajudar esse país a ser melhor ainda”.