A expectativa do banco central dos EUA sobre os juros
Decisão do Banco Central americano sai na quarta-feira
A decisão do Federal Reserve ganha uma camada extra de tensão que vai além dos dados econômicos. No centro do ruído está Donald Trump, que voltou a pressionar publicamente o banco central americano por um corte imediato dos juros. No programa Mercado, da Veja, o economista Bruno Lavieri chamou atenção para o efeito colateral desse tipo de discurso: boa parte da volatilidade recente — seja em moedas, ouro ou ativos de risco — passa diretamente pelo fator Trump.
A lógica da pressão é conhecida: juros menores para estimular a atividade econômica. O problema é o timing. A economia americana segue em ritmo razoavelmente forte, com consumo resiliente, mercado de trabalho apertado e inflação ainda acima do centro da meta de 2%. Ou seja, do ponto de vista técnico, não há urgência para acelerar cortes. É justamente esse o argumento do presidente do Fed, Jerome Powell, e do restante do comitê: prudência agora evita problemas maiores lá na frente.
Na prática, a expectativa é de um ciclo de cortes bem gradual, possivelmente limitado a poucos movimentos ao longo de 2026. O que chama atenção, como destacou Lavieri, é a tentação de tratar esse tipo de interferência como exclusividade brasileira. Não é. A diferença é que, nos EUA, a credibilidade institucional ainda funciona como um amortecedor. Traduzindo o economês: quanto maior a pressão política, maior tende a ser a cautela do Banco Central — e mais nervoso fica o mercado.





