Ações para evitar novas enchentes no RS precisam continuar, diz CEO da Lojas Renner
Segundo Fábio Faccio, executivo-chefe da varejista, poder público deve intensificar trabalhos de prevenção

As autoridades e a sociedade precisam continuar mobilizadas para evitar a repetição de tragédias como as enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul entre abril e maio deste ano, deixando quase 200 mortos, mais de 2,5 milhões de pessoas atingidas em 458 cidades, além de prejuízos de 10 bilhões de reais, segundo a Confederação Nacional de Municípios (CNM). O alerta é de Fábio Faccio, executivo-chefe da Lojas Renner, uma das maiores varejistas de moda do Brasil.
Segundo Faccio, a preocupação em mitigar os impactos de futuros eventos climáticos extremos mobiliza representantes da indústria gaúcha, que tentam sensibilizar os vários níveis de governo – federal, gaúcho e prefeituras – para acelerar os trabalhos de reconstrução dos danos causados pelas inundações de meados do ano, além de obras de prevenção contra novos desastres. “Várias pessoas do Rio Grande do Sul têm tentado trazer mais consciência sobre o problema e uma maior agilidade na busca de soluções”, diz Faccio.
O problema, para ele, é que, por mais que a iniciativa privada e as organizações não-governamentais intensifiquem suas ações, há responsabilidades que escapam a sua alçada. “Há medidas de prevenção de enchentes que envolvem os governos do estado e federal”, diz o executivo. “Nessas horas, ficamos de mãos atadas e só nos resta continuar pressionando por soluções”.
A pressão parte também do poder legislativo. Em meados de novembro, a comissão temporária do Senado que acompanha as ações de combate às enchentes no Rio Grande do Sul apresentou, na Assembleia Legislativa do Estado, uma série de propostas que deveriam ser implementadas pela União, pelo governo gaúcho e pelas prefeituras. As sugestões vão da criação de um plano nacional de resiliência urbana até a elaboração de protocolos de atendimento à população afetada por desastres climáticos.
Na ocasião, o relator da comissão, senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), afirmou que “a reconstrução do estado exigirá uma mobilização coletiva, diante da devastação causada pelas enchentes.”
Já o governo federal oficializou ontem, 19, a criação da Casa de Governo no Rio Grande do Sul, que substituirá a Secretaria de Apoio à Reconstrução do Estado, criada na esteira das enchentes deste ano. A Casa de Governo continuará monitorando as ações de reconstrução local.
Enquanto isso, as empresas privadas continuam mobilizando recursos para apoiar os gaúchos. Na Lojas Renner, por exemplo, 5 000 dos 25 000 funcionários vivem no estado. Além disso, sua sede fica em Porto Alegre. “Temos um cordão umbilical que nos liga ao Rio Grande do Sul”, diz Faccio.
Por meio do Instituto Lojas Renner, a varejista atendeu mais de 500 000 pessoas com ações emergenciais na primeira fase de socorro às vítimas das enchentes, logo nas primeiras semanas da tragédia. Entre doações diretas, captação de recursos de fornecedores e créditos no cartão alimentação de famílias atingidas, a Renner movimentou cerca de 1 milhão de reais em ações de apoio.
Passada a fase emergencial, as ações entraram na segunda etapa, com programas de estímulo ao voluntariado, formação profissional, apoio ao empreendedorismo das mulheres e reconstrução de casas. “Investimos no país inteiro, mas olhamos com carinho para o nosso estado”, diz Faccio. “O objetivo é acelerar sua retomada econômica”.