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A riqueza que vem da natureza protegida

Há algumas décadas, compreendi que poderíamos conservar a natureza em vez de remediar danos. Assim, não precisaríamos recuperá-la no futuro

Por Miguel Krigsner
4 nov 2025, 16h11 • Atualizado em 4 nov 2025, 16h49
  • Para cada real que a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza investe na conservação da natureza, o impacto gerado no PIB brasileiro é de R$ 1,70. Esse dado inédito faz parte das descobertas da primeira fase de um estudo que está em desenvolvimento com a Unicamp, a Universidade Estadual de Campinas neste ano. Queremos compreender o resultado das nossas entregas para o meio ambiente e para a sociedade brasileira ao longo da história da nossa Fundação, que celebrou seus 35 anos em setembro de 2025. 

    Apesar disso, quando analisamos o PIB global, constatamos que menos de 0,2% é direcionado para a conservação da natureza, enquanto mais da metade do PIB global depende dos serviços ecossistêmicos. Essa é uma informação disponível no The Little Book of Investing in Nature, publicado em 2021 pela Global Canopy, uma organização sem fins lucrativos que fornece dados para monitorar e agir contra o desmatamento e a perda da biodiversidade.

    Diante desse contraste e como forma de conscientizar mais empresários e investidores brasileiros, volto para o passado para relembrar o momento em que compreendi que poderíamos conservar a natureza em vez de remediar danos. Assim, não precisaríamos recuperá-la no futuro. Isso aconteceu quando ainda faltavam alguns anos para a Rio-92, a conferência ambiental da Organização das Nações Unidas realizada aqui no país que impulsionou o debate global sobre a sustentabilidade. Eu viajava de carro pela Alemanha para conhecer uma fábrica de vidros coloridos que poderiam ser usados nos produtos de O Boticário e passei por uma área de reflorestamento. Apesar do verde abundante da vegetação, notei que não havia aves na copa das árvores, nem voando ao redor da área reflorestada.

    A cena me fez entender que, embora a flora tivesse sido recuperada, a fauna havia sido colocada em perigo. Isso me trouxe um alerta de que certas atitudes que temos em relação ao meio ambiente são irreversíveis. Na mesma época, conheci um projeto que plantava árvores em pleno deserto.

    Voltei para o Brasil decidido a fazer a diferença. Comecei a conversar com ambientalistas para entender a viabilidade de plantarmos uma árvore a cada produto vendido. “Quantos produtos vocês vendem anualmente?”, me perguntou na época Miguel Milano, engenheiro e doutor em ciências florestais pela Universidade Federal do Paraná. Quando respondi que eram de 4 milhões a 5 milhões por ano, ele nos alertou: isso significaria plantar o equivalente a 2,5 mil campos de futebol, o que seria insustentável a longo prazo. 

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    Ouvimos o alerta, mas estávamos convictos de que precisávamos fazer algo grandioso pelo meio ambiente. Foi assim que chegamos a uma sugestão diferente, mas igualmente impactante: priorizar a conservação da natureza por meio de uma Fundação. Com o apoio de Miguel e outros ambientalistas de renome, começamos a detalhar nossos projetos e programas para incentivar pesquisas científicas e apoiar o ecossistema de investimentos e negócios de impacto positivo no Brasil. Trabalhando sempre em rede.

    Atualmente considerada uma das principais fundações empresariais do Brasil, ela é mantida com recursos oriundos da política de Investimento Social Privado do Grupo Boticário, que direciona 1% da sua receita líquida para ações sociais e ambientais.

    Somos responsáveis pela conservação da Reserva Natural Salto Morato, localizada no litoral norte do Paraná, que recebe milhares de turistas e contribui com o desenvolvimento da comunidade local. A reserva está inserida no maior remanescente contínuo de Mata Atlântica do Brasil, uma região reconhecida pela Unesco, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, como Patrimônio Natural da Humanidade. Mantemos também a Reserva Natural Serra do Tombador, no interior de Goiás, quase na divisa com Tocantins. As duas áreas somam 11 mil hectares dos dois biomas mais ameaçados pelo desmatamento.

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    Atuamos ainda na adaptação da sociedade às mudanças climáticas, incluindo o fortalecimento da segurança hídrica. Desde 2019, temos o Movimento Viva Água, que conecta atores estratégicos em iniciativas de conservação da natureza e empreendedorismo sustentável. Já estamos presentes na Bacia do Rio Miringuava, no Paraná, e na Região Hidrográfica da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, contribuindo com o abastecimento de cerca de 15 milhões de pessoas e negócios. Até 2030, o movimento se tornará uma ação nacional com a implementação em mais quatro mananciais relevantes para o abastecimento público de grandes centros urbanos.

    Há muitas outras histórias nestes 35 anos entre os mais de 1.800 projetos que já apoiamos até hoje – e que, aliás, já contribuíram para a descoberta de 178 novas espécies de plantas e animais. Cada descoberta representa avanços científicos, sociais e ambientais que se refletem em todos nós. Celebro nossas conquistas ao mesmo tempo em que reforço que uma empresa precisa ter missões que transcendem a questão financeira.

    Como nós, enquanto iniciativa privada, podemos ajudar a encontrar soluções para esses problemas estruturais que persistem em nosso país? Acredito que devemos ter total interesse em proteger a natureza e a nossa biodiversidade, pois sem ela não há economia que se sustente. O futuro é agora ou agora.

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    *Miguel Krigsner é fundador e presidente do Conselho Administrativo do Grupo Boticário e presidente do Conselho Curador da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza

    Reserva Natural Serra do Tombador, localizada em Cavalcante (GO)
    aqui uma foto da Reserva Natural Salto Morato, em Guaraqueçaba (PR) (Grupo Boticário/Divulgação)
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