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Prorrogamos a Black: VEJA com preço absurdo

Patrimônios à venda: o que está por trás do leilão dos relógios de Francis Ford Coppola

Trata-se de uma tendência no mercado de objetos pessoais de famosos

Por Simone Blanes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 nov 2025, 08h00

Daria uma excelente logline para um filme, aquela frase curta, de uma ou duas linhas, que resume a trama: Francis Ford Coppola está falido. A instabilidade financeira, aliás, esteve sempre no roteiro da vida do cineasta da trilogia O Poderoso Chefão e Apocalypse Now. Agora, o Armagedom pode ser posto na conta de Megalópolis, de 2024, épico de ficção ­científica que imagina os Estados Unidos como Roma em colapso. “Não tenho dinheiro nenhum”, disse em entrevista recente.

A produção custou 120 milhões de dólares, mas a bilheteria não chegou a 14 milhões de dólares. O diretor já havia posto à venda duas vinícolas de sua propriedade na Califórnia. Mais quebrado ainda, acaba de anunciar o leilão de sete relógios no início de dezembro. A joia da coroa foi desenhada por Coppola em parceria com o mestre relojoeiro francês François-Paul Journe, criador de apenas 800 peças por ano, que sozinho pode ir ao martelo por 1 milhão de dólares. A noitada de vendas não o salvará da bancarrota, tampouco o fará perder a hora, mas é símbolo de um interessante momento: a onda de famosos que se desfazem de objetos pessoais — muitas vezes por necessidade financeira, mas outras para esvaziar armários e tocar a vida com alguma (alguma, vá lá) frugalidade. Além da benemerência.

DOAÇÃO - Uma das chamativas botas de Elton John: pelo controle da aids
DOAÇÃO – Uma das chamativas botas de Elton John: pelo controle da aids (Christie’s; Max Mumby/Indigo/Getty Images)

No ano passado, um leilão da memorabilia de Elton John — incluindo os famosos óculos e as celebradas botas — alcançou o equivalente a 100 milhões de reais. O dinheiro foi doado para entidades benemerentes no controle da aids. No Brasil, a atriz Vera Fischer também organizou um lote de objetos pessoais, como pinturas e óculos, de modo a oferecer o valor da venda para o Retiro dos Artistas. Seria fácil, é verdade, atribuir a tendência ao gosto por conseguir alguma simplicidade e muito dinheiro para doação, motivos louváveis. Convém, contudo, enxergar o movimento do ponto de vista psicológico, especialmente para os compradores.

Por que, enfim, leilões de itens famosos geram tanto interesse? A resposta é óbvia: ter um bem histórico fascina. É o que o teórico da comunicação Walter Benjamin (1892-1940) batizou de “aura”. O conceito é simples. Um objeto de valor artístico e cultural tem aura própria, motivo pelo qual apreciar Mona Lisa, no Louvre, não é a mesma coisa que ver uma reprodução em casa.

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AJUDA - A atriz Vera Fischer e um de seus óculos: dinheiro arrecadado para o Retiro dos Artistas, no Rio de Janeiro
AJUDA - A atriz Vera Fischer e um de seus óculos: dinheiro arrecadado para o Retiro dos Artistas, no Rio de Janeiro (Leilão Naiara Santos; @verafischeroficial/Instagram)

Há que se considerar, no jogo, este que agora será iluminado pelos relógios de Coppola, o interesse das grandes casas de leilões. Nos últimos anos, elas têm crescido com transações de coleções privadas, mais charmosas, de consumo mais imediato, e certamente midiáticas. Na Sotheby’s, a maior casa de leilões do mundo, essas transações aumentaram 17% em valor no ano passado. Na Christie’s, a segunda maior, o aumento foi de 41%; as vendas privadas representam hoje quase 30% da receita total, em comparação com apenas 12% há uma década. É o caso, portanto, de cravar: a necessidade é a mãe do leilão.

Publicado em VEJA de 7 de novembro de 2025, edição nº 2969

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