Avatar do usuário logado
Usuário
OLÁ, Usuário
Ícone de fechar alerta de notificações
Avatar do usuário logado
Usuário

Usuário

email@usuario.com.br
Prorrogamos a Black: VEJA com preço absurdo

Conheça o look da delegação brasileira para a COP30

Camisas de linho e quimono com detalhe de grafismo marajoara são as roupas escolhidas para colocar a cultura regional na vitrine

Por Valéria França Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 8 nov 2025, 15h58 - Publicado em 7 nov 2025, 18h59

Para além das questões climáticas, uma das preocupações do presidente da COP30, André Corrêa do Lago, sempre foi aproveitar o evento para mostrar ao mundo a rica cultura do norte do país. A ideia era fugir dos ícones folclóricos para apresentá-la de forma integrada à contemporaneidade, de tal forma que o público entenda que é possível conciliar com harmonia o desenvolvimento e o regionalismo. Daí, nasceu a coleção de camisas de linho com o corte da alfaiataria tradicional, em tons clássicos, bordada com detalhes do grafismo marajoara, que vai compor o visual da delegação brasileira, a partir da próxima segunda-feira, 10, quando a COP30 começa oficialmente, em Belém.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhou uma, na quinta-feira, da estilista paraense Val Valadares, que desenvolveu as peças. Assim que acabou a abertura da Cúpula dos Líderes, colocou a peça e saiu pelos corredores, exibindo o look: camisa branca de linho com uma faixa estampada fina na vertical. Posou para foto com ela, ao lado de Emmanuel Macron, presidente da França.  Foi o único a colocar a camisa durante a reunião dos líderes, que exigiu um dress-code mais formal durante o evento. Já a primeira-dama recebeu o seu quimono nesta sexta-feira, que a estilista criou para as mulheres da delegação da COP30. Ele também é branco e tem um barrado discreto com a estampa marajoara. Corrêa do Lago comprou sete camisas para usar durante o evento, uma para cada dia da semana. “Como faltou patrocínio para que a presidência da COP30 adquirisse as roupas para a equipe, todos resolveram aderir ao projeto pagando pela própria roupa”, conta Isabel Schmidt, que foi incumbida de achar uma estilista que desse conta do recado.

Foi com a ajuda do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que ela achou a paraense Val Valadares, de 59 anos, que havia ganhado uma certa evidência na região desde que Elder Barbalho, governador do estado, passou a comprar dela camisas de vaqueiro. Mas a oportunidade de estar na COP30 veio da capacitação que participou, oferecida pelo Sebrae paraense para 120 empresas. O grupo tinha o desafio de fazer uma coleção cápsula para a COP30. “Não tinha talento para fazer nada muito colorido, nem muito menos que usasse o látex, que é um material bem regional”, conta a estilista. Val escolheu o linho puro.

Já o grafismo marajoara veio de um livro sobre o trabalho do padre Giovanni Gallo, que trabalhou no Amazonas na década de 1970 até a morte, em 2023. O sacerdote italiano teve grande importância para a divulgação da cultura dos indígenas que habitaram a Ilha de Marajó, no estado do Pará, antes da chegada dos europeus. Trata-se de uma das mais complexas civilizações, que floresceu entre 400 e 1300 d.C., que tem entre seus legados a cerâmica, famosa pelos desenhos geométricos e representação de figuras humanas e animais, que expressam aspectos religiosos, sociais e cotidianos do povo.

A importância da cultura marajoara para o norte do Brasil é profunda: ela simboliza a identidade amazônica e a ancestralidade dos povos originários, mostrando que a região já abrigava civilizações organizadas e sofisticadas muito antes do contato europeu. Além de seu valor histórico e arqueológico, essa herança influencia até hoje o artesanato, a arte, o design e o turismo na região.

Isabel ficou encantada com o trabalho de Val, devido ao precioso acabamento. Juntas decidiram tercerizar o trabalho de bordadeiras para fazer o detalhe dos grafismos marajoaras nas camisas de linho. Os botões da camisa são de marchetaria, desenvolvida pelo artesão Carlos Euclides, que também se inspirou no grafismo marajoara para compor o look das camisas da Val. “Meu objetivo sempre foi fazer uma coleção que fosse usada no dia a dia, por pessoas que ocupam diferentes posições no trabalho”, conta a estilista, que viu surgir uma excelente oportunidade de crescimento. O Sebrae ajudou muito as empresas a se profissionalizarem. Era apenas uma costureira que tinha um ateliê, mas faltava a profissionalização necessária, principalmente para dar conta de uma coleção e vender pela internet, como eu faço agora”. As camisas marajoaras da COP30 custam a partir de 600 reais. Val já vendeu 500 peças. E vai expô-las na Green Zone. Nascida em uma comunidade quilombola do estado, aprendeu a ler sozinha, até que foi adotada por uma família da capital e finalmente chegou a um colégio. Hoje, com a COP30, fez o que parecia impossível: produzir uma roupa para o presidente do Brasil vestir.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

SUPER BLACK FRIDAY

Digital Completo

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
SUPER BLACK FRIDAY

Revista em Casa + Digital Completo

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 7,50)
De: R$ 55,90/mês
A partir de R$ 29,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.