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Mundo Agro

Por Marcos Fava Neves Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
De alimentos a energia renovável, análises sobre o agronegócio

Como melhorar o solo através do uso agrícola e pecuário?

O agro brasileiro possui inúmeras práticas que colocam o solo em primeiro lugar

Por Marcos Fava Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 20 dez 2024, 16h51 - Publicado em 20 dez 2024, 16h38

O discurso de que o agro degrada de forma irresponsável o solo exclui as inovações em pesquisa e desenvolvimento que o setor desenvolveu nas últimas décadas. O uso contínuo do solo sem técnicas adequadas pode levar a problemas ambientais, como erosão e compactação, perda de nutrientes e redução da biodiversidade – eventos que afetam, em primeiro lugar, a agricultura. Sabendo desses desafios, o agro tem investido em soluções inovadoras que não apenas reduzem esses impactos negativos, mas também promovem a regeneração do solo.

No contexto de práticas e conceitos que visam a saúde do solo, salta aos olhos a “agricultura regenerativa”. O termo significa uma forma de pensar a produção agrícola onde o solo não é só um local para plantar, mas um ecossistema que o mantém no centro e utiliza técnicas para manter a sua qualidade e recuperar seus atributos. Nesse modelo, os agricultores têm implementado técnicas como: a) o plantio direto na palha; b) a rotação de culturas; c) a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF); e d) o uso de bioinsumos no manejo e melhoria da biodiversidade microbiana do solo.

O uso indiscriminado de produtos químicos, tradicionalmente usados na agricultura, pode desenvolver um desequilíbrio na capacidade natural de nutrição do solo para as plantas. Como alternativa para minimar, os agricultores adotam os insumos biológicos. Esses insumos incluem: defensivos de controle biológico (1), como insetos predadores e parasitoides de outras pragas, a exemplo de joaninhas e vespas; promotores de crescimento vegetal (2), que contribuem para o desenvolvimento das plantas, como inoculantes (bactérias fixadoras de nitrogênio), biofertilizantes (derivados de matéria orgânica); produtos veterinários (3); entre outros.

O esgotamento de recursos naturais e o aparecimento de espécies invasoras (“capim”) são possíveis impactos decorrentes do uso contínuo do solo para uma única cultura. A rotação de culturas é uma técnica já bem estabelecida na agricultura e eficaz contra os problemas descritos. Como o próprio nome sugere, consiste em alternar culturas com características distintas, como as leguminosas (feijão e amendoim) que fixam nitrogênio, gramíneas (milho, trigo e girassol), além de outras culturas como sorgo e algodão. A principal associação na rotação de culturas é a combinação entre milho e soja. No cultivo de soja, outras culturas comumente utilizadas como antecessoras são o trigo, cevada e aveia, e como sucessoras, girassol e canola.

Como alternativa ao problema de erosão de solo – deslocamento de terra de um lugar para outro que pode diminuir a produtividade ao levar consigo os plantios e ainda tornar a terra infértil – temos o sistema de plantio direto na palha. Essa prática consiste em semear diretamente as sementes abaixo da palha de culturas anteriores, sem realizar o tradicional revolvimento do solo. Dessa forma, o solo fica protegido de chuvas e ventos diretos e permanece com sua estrutura intacta. Além da palha manter a umidade do solo, reduzindo consumo de água – outro benefício ambiental. Um estudo da Embrapa apontou que os agricultores que adotam o plantio direto conseguem reduzir a erosão em até 95% em suas lavouras.

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O futuro trará uma agricultura cada vez mais centrada no solo. Uma grande tendência no setor é o conceito de gestão por m², e não mais por hectare. Focado em proporcionar a maior precisão possível no manejo, sensores e aplicativos trabalham em conjunto para identificar deficiências, pragas e doenças nos menores espaços e fazer a aplicação do insumo necessário apenas no local indicado. Dessa forma, economiza-se tempo, capital e, principalmente, saúde do solo.

Vimos que as técnicas de plantio direto, rotação de culturas e o uso de insumos biológicos são apenas o início de uma revolução na forma como produzimos alimentos. Hoje o agro se preocupa muito mais com a qualidade do solo. Com todos esses avanços, o futuro aponta para uma agricultura cada vez mais precisa, sustentável e verde. Verde e amarela.

 

Marcos Fava Neves é professor Titular (em tempo parcial) da Faculdades de Administração da USP (Ribeirão Preto – SP) e fundador da Harven Agribusiness School (Ribeirão Preto – SP). É especialista em Planejamento Estratégico do Agronegócio. Confira textos e outros materiais em harvenschool.com e veja os vídeos no Youtube (Marcos Fava Neves). Agradecimentos a Vinícius Cambaúva e Rafael Rosalino.

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